Hiperemese Gravídica e Tireoide: Manejo do TSH Suprimido

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 31 anos de idade, secundigesta, nulípara, chega ao pronto atendimento referindo náuseas e vômitos intensos (3 a 4 episódios por dia). Refere data da última menstruação em 23/09/2021. Portadora de distúrbio de ansiedade em uso de Sertralina 100 mg por dia, chegou bastante agitada. Ao exame clínico, paciente em regular estado geral, desidratada 2+/ 4+, PA 90x62 mmHg, FC 124 bpm, rítmico, Saturação 98%. Exame ginecológico mostrou conteúdo vaginal fisiológico, colo impérvio e útero compatível com a idade gestacional.Foram colhidos os seguintes exames: Hb 11,4 g/dl; Ht 34,2%, Leucócitos 10,66mil/mm³; Plaquetas 268 mil/mm³; TSH 0,02 UI/ml, T4 total 8,2 mcg/dl; TGO 19U/L; TGP 28U/L; Cr 0,51 mg/dl; U 15 mg/dl; Na 136 mEq/L; K 3,0 mEq/L; PCR 0,06 mg/L; gasometria venosa (pH 7,47; pO₂ 80,1 mmHg; pCO₂ 29,2 mmHg; HCO₃ 29,1 mmol/L; BE +10). Eletrocardiograma:Após estabilização do quadro agudo, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Repetir TSH.
  2. B) Introduzir Propiltiouracil.
  3. C) Introduzir Propranolol.
  4. D) Introduzir Levotiroxina.

Pérola Clínica

Hiperemese gravídica + TSH suprimido → suspeitar de tireotoxicose gestacional transitória. Repetir TSH para confirmar.

Resumo-Chave

A hiperemese gravídica pode cursar com alterações eletrolíticas (hipocalemia, alcalose metabólica) e disfunção tireoidiana, como a tireotoxicose gestacional transitória, devido à elevação do beta-hCG. Nesses casos, o TSH pode estar suprimido, mas geralmente não requer tratamento antitireoidiano, apenas monitoramento.

Contexto Educacional

A hiperemese gravídica é uma condição debilitante que afeta gestantes, caracterizada por náuseas e vômitos intensos e persistentes, levando a desidratação, perda de peso e distúrbios eletrolíticos. É fundamental o manejo agressivo da hidratação e correção dos eletrólitos para estabilização da paciente. A fisiopatologia da tireotoxicose gestacional transitória está ligada aos níveis elevados de beta-hCG, que possui uma subunidade alfa semelhante à do TSH, permitindo que ele atue como um agonista fraco do receptor de TSH. Isso resulta em supressão do TSH e, em alguns casos, elevação dos hormônios tireoidianos, mimetizando o hipertireoidismo. O diagnóstico diferencial é crucial para distinguir a tireotoxicose gestacional transitória do hipertireoidismo verdadeiro (como a Doença de Graves). A conduta inicial, após a estabilização da paciente, é monitorar a função tireoidiana, repetindo o TSH. Na maioria dos casos, a condição é autolimitada e não requer tratamento antitireoidiano específico, resolvendo-se à medida que os níveis de beta-hCG diminuem.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre hiperemese gravídica e a função tireoidiana?

A hiperemese gravídica pode estar associada à tireotoxicose gestacional transitória, uma condição em que os altos níveis de beta-hCG estimulam o receptor de TSH, levando à supressão do TSH e, por vezes, a um leve aumento dos hormônios tireoidianos.

Quando se deve repetir o TSH em casos de hiperemese com TSH suprimido?

O TSH deve ser repetido após a estabilização do quadro agudo da hiperemese, geralmente em algumas semanas, para confirmar se a supressão é transitória ou se há uma tireopatia subjacente que necessite de tratamento.

Quais são os distúrbios eletrolíticos mais comuns na hiperemese gravídica?

Os distúrbios eletrolíticos mais comuns são a hipocalemia (devido aos vômitos) e a alcalose metabólica (pela perda de ácido gástrico), que podem levar a arritmias e outros sintomas.

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