Hiperemese Gravídica e Gestação Gemelar: Diagnóstico e Sinais

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 21 anos de idade, que está em sua primeira gestação (G1P0A0), procura atendimento na unidade de emergência com quadro de náuseas e vômitos há 10 dias. Relata que descobriu estar grávida após iniciar com este quadro e fazer um teste de gravidez de farmácia. Desde então, mantém quadro de náuseas e vômitos intensos, tendo apresentado perda ponderal de 8kg neste período. Não tem outros antecedentes relevantes e refere não ter realizado nenhum exame pré-natal até o momento. Ao exame, está em regular estado geral, desidratada (++/4+), com FC 102 bpm e PA 101x65mmHg. Sem outras alterações. Os exames laboratoriais evidenciam: Hb 12g/dL; Ht 30,1%; Leuco 8560/mm3 ; TSH 0,50mUI/L; T4 total 9µg/dL; K 2,9mEq/L; Na 125mEq/L; TGO 30U/L; TGP 25U/L; BT 0,30mg/dL; FA 40U/L; GGT 70U/L e glicemia de jejum 72mg/dL. A ultrassonografia obstétrica evidenciou o achado que pode ser visto na imagem a seguir:Quais são, respectivamente, o diagnóstico clínico, a corionicidade da gestação e o nome do sinal apontado pela seta na imagem?

Alternativas

  1. A) Hipertireoidismo, monocoriônico e sinal do “T”.
  2. B) Hipertireoidismo, dicoriônico e sinal do lambda.
  3. C) Hiperemese gravídica, monocoriônica e sinal do “T”.
  4. D) Hiperemese gravídica, dicoriônica e sinal do lambda

Pérola Clínica

Hiperemese gravídica + gestação gemelar dicoriônica = náuseas/vômitos intensos, perda ponderal, desidratação, distúrbios eletrolíticos. Sinal do lambda indica dicoriônica.

Resumo-Chave

O quadro clínico de náuseas e vômitos intensos com perda ponderal e distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hiponatremia) é altamente sugestivo de hiperemese gravídica. A ultrassonografia com o sinal do lambda é patognomônica de gestação gemelar dicoriônica, que é um fator de risco para hiperemese.

Contexto Educacional

A hiperemese gravídica é uma condição grave que afeta cerca de 0,3-3% das gestações, caracterizada por náuseas e vômitos intratáveis, levando a desidratação, perda de peso e distúrbios eletrolíticos. Fatores de risco incluem gestação gemelar, mola hidatiforme e história prévia. O diagnóstico é clínico, após exclusão de outras causas. A gestação gemelar é um fator de risco significativo para hiperemese devido aos níveis elevados de hCG. A determinação da corionicidade é um passo crítico no manejo de gestações múltiplas. Gestações dicoriônicas (duas placentas, duas âmnios) têm um prognóstico geralmente melhor do que as monocoriônicas (uma placenta), que estão associadas a riscos aumentados de complicações como a síndrome de transfusão feto-fetal. O sinal do lambda (ou "twin peak sign") na ultrassonografia do primeiro trimestre é o marcador mais confiável para gestações dicoriônicas. Ele representa a extensão do tecido placentário para a base da membrana intergemelar. Em contraste, o sinal do "T" indica gestação monocoriônica. O tratamento da hiperemese gravídica envolve hidratação venosa, correção de eletrólitos e antieméticos, podendo ser necessária nutrição parenteral em casos refratários.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para hiperemese gravídica?

A hiperemese gravídica é caracterizada por náuseas e vômitos intensos e persistentes que levam à desidratação, perda ponderal (>5% do peso pré-gestacional) e distúrbios eletrolíticos, na ausência de outras causas.

Qual a importância de determinar a corionicidade em gestações gemelares?

A determinação da corionicidade (monocoriônica ou dicoriônica) é fundamental para o manejo da gestação gemelar, pois gestações monocoriônicas apresentam maior risco de complicações específicas, como a síndrome de transfusão feto-fetal.

Como o sinal do lambda na ultrassonografia se relaciona com a corionicidade?

O sinal do lambda (ou "twin peak sign") é um achado ultrassonográfico que indica a presença de uma cunha de tecido placentário que se estende para dentro da membrana intergemelar, confirmando que a gestação é dicoriônica e diamniótica.

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