HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024
Gestante G2-P1, com 10 semanas de gestação, sem doenças prévias e exames laboratoriais de rotina solicitados no pré-natal normais. Relata que há 20 dias está com vômitos intensos, diários, motivo pelo qual tem procurado atendimento médico no posto de saúde em duas ocasiões. Já está em uso de antiemético oral sem melhora. Teve perda de 6 kg desde início da gestação. Exame físico em regular estado geral, corada, desidratada ++, afebril, PA 100/50 mmHg, FC 110 BPM, peso atual de 50 k. Neste caso o diagnóstico e conduta inicial com essa gestante são, respectivamente:
Hiperêmese gravídica: vômitos incoercíveis + desidratação + perda peso → hospitalizar, hidratação glicofisiológica, tiamina.
A hiperêmese gravídica é caracterizada por vômitos incoercíveis, desidratação e perda de peso (>5% do peso pré-gestacional). A conduta inicial inclui hospitalização para hidratação venosa (solução glicofisiológica) e reposição de tiamina para prevenir encefalopatia de Wernicke.
A hiperêmese gravídica é uma condição grave que afeta algumas gestantes, caracterizada por náuseas e vômitos intensos e persistentes, levando a desidratação, desequilíbrio eletrolítico e perda de peso significativa (geralmente mais de 5% do peso pré-gestacional). Diferencia-se da êmese gravídica comum, que são os "enjoos matinais" mais leves e autolimitados. A etiologia exata não é totalmente compreendida, mas fatores hormonais, como níveis elevados de hCG, são implicados. É uma condição que exige atenção médica imediata para evitar complicações maternas e fetais. O diagnóstico é clínico, baseado na intensidade dos sintomas e nos achados do exame físico, como desidratação, taquicardia e hipotensão. A perda de peso é um marcador importante da gravidade. Exames laboratoriais podem revelar distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hiponatremia), alcalose metabólica e aumento da densidade urinária. O principal diferencial é a êmese gravídica fisiológica, que não causa desidratação ou perda de peso tão acentuada. A conduta inicial para hiperêmese gravídica grave, como no caso descrito, é a hospitalização. O tratamento visa corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos com hidratação venosa, preferencialmente com solução glicofisiológica. A administração de tiamina (vitamina B1) é crucial e deve ser feita antes ou concomitantemente à glicose para prevenir a encefalopatia de Wernicke, uma complicação neurológica potencialmente fatal. Antieméticos intravenosos também são indicados para controlar os vômitos. A nutrição enteral ou parenteral pode ser necessária em casos refratários.
Os critérios incluem vômitos intensos e persistentes, desidratação, perda de peso significativa (geralmente >5% do peso pré-gestacional) e desequilíbrio eletrolítico, que não respondem a antieméticos orais.
A tiamina (vitamina B1) é crucial para prevenir a encefalopatia de Wernicke, uma complicação neurológica grave que pode ocorrer em pacientes com vômitos prolongados e desnutrição, como na hiperêmese grave.
A hospitalização é indicada quando há sinais de desidratação moderada a grave, perda de peso progressiva, desequilíbrio eletrolítico ou falha do tratamento ambulatorial com antieméticos orais.
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