Hiperêmese Gravídica: Diagnóstico e Manejo Essencial

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta de 17 anos retorna com 12 semanas (DUM) à consulta de PN queixando-se de piora das náuseas e vômitos, apesar do uso correto de medicação antiemética. Ao exame físico: regular estado geral, PA 100 x 60 mmHg, FC 102 bpm, desidratada (+/4+) e com a curva de ganho de peso da imagem a seguir. Ultrassom: gestação única, tópica, com idade gestacional compatível com a DUM. Aos exames laboratoriais: cultura de urina negativa, TSH 0,03 (normal entre 0,4 a 4,5 μUI/mL) e T4L 1,1 (normal entre 0,7 a 1,8 ng/dL).O diagnóstico e a conduta são, correta e respectivamente:

Alternativas

  1. A) hiperêmese gravídica; internação e suporte clínico.
  2. B) êmese gravídica; internação e suporte clínico.
  3. C) hiperêmese gravídica; tratar hipertireoidismo.
  4. D) êmese gravídica; tratar tipertireoidismo.

Pérola Clínica

Náuseas/vômitos graves + desidratação + perda de peso = Hiperêmese Gravídica → internação e suporte.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro grave de náuseas e vômitos persistentes, desidratação e perda de peso, caracterizando hiperêmese gravídica. A supressão do TSH com T4L normal é um achado comum e transitório na hiperêmese, não indicando hipertireoidismo primário que necessite de tratamento específico, mas sim uma resposta à elevação do hCG. A conduta inicial é internação e suporte clínico.

Contexto Educacional

A hiperêmese gravídica é uma condição grave caracterizada por náuseas e vômitos persistentes e intratáveis durante a gravidez, que resultam em perda de peso significativa (geralmente >5% do peso pré-gestacional), desidratação, desequilíbrio eletrolítico e cetonúria. Diferencia-se da êmese gravídica comum, que afeta até 80% das gestantes, mas é mais leve e autolimitada. A hiperêmese afeta cerca de 0,3% a 3% das gestações e pode levar a complicações sérias se não tratada adequadamente. O diagnóstico é clínico, baseado na intensidade dos sintomas e nos achados de desidratação e perda de peso. Exames laboratoriais são importantes para avaliar o grau de desidratação, eletrólitos e função renal. Um achado comum é a supressão do TSH com T4 livre normal ou discretamente elevado, devido à estimulação da tireoide pelo beta-hCG (hipertireoidismo gestacional transitório), que geralmente não requer tratamento específico para a tireoide. É crucial descartar outras causas de vômitos, como infecção urinária, gastroenterite ou doenças neurológicas. A conduta para hiperêmese gravídica é a internação hospitalar para suporte clínico intensivo. Isso inclui hidratação venosa com soro fisiológico e glicosado, correção dos distúrbios eletrolíticos (especialmente hipocalemia), administração de antieméticos potentes (ex: ondansetrona, metoclopramida) por via parenteral, e suplementação de tiamina para prevenir a encefalopatia de Wernicke. Em casos refratários, pode ser necessário suporte nutricional enteral ou parenteral. O acompanhamento da gestante e do feto é fundamental para garantir a recuperação e o bem-estar de ambos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para hiperêmese gravídica?

A hiperêmese gravídica é diagnosticada pela presença de náuseas e vômitos graves e persistentes, resultando em perda de peso (>5% do peso pré-gestacional), desidratação, desequilíbrio eletrolítico e cetonúria, que não respondem ao tratamento ambulatorial.

Por que o TSH pode estar suprimido na hiperêmese gravídica?

Na hiperêmese gravídica, a elevação acentuada dos níveis de beta-hCG, que possui atividade tireotrófica, pode estimular a tireoide e levar a uma supressão transitória do TSH, com T4 livre geralmente normal ou discretamente elevado. Isso é conhecido como hipertireoidismo gestacional transitório e geralmente não requer tratamento com antitireoidianos.

Qual a conduta inicial para hiperêmese gravídica?

A conduta inicial para hiperêmese gravídica inclui internação hospitalar, hidratação venosa agressiva, correção de distúrbios eletrolíticos, uso de antieméticos potentes por via parenteral, suplementação vitamínica (especialmente tiamina para prevenir encefalopatia de Wernicke) e, se necessário, suporte nutricional.

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