Hipercolesterolemia Familiar: Diagnóstico e Sinais Chave

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 27 anos de idade, comparece à Unidade Básica de Saúde, UBS, para consulta de rotina, sem queixas. Nega comorbidades conhecidas, tabagismo ou etilismo. Pratica caminhadas 3 vezes na semana, de uma hora. De antecedentes familiares, diz que o pai faleceu de infarto aos 49 anos. Ao exame físico, observam-se xantomas em tendão calcâneo bilateralmente, sem outras alterações. IMC: 24kg/m². Realizados exames laboratoriais com colesterol total de 385mg/dL, HDL: 86mg/dL, LDL: 262mg/dL e triglicérides: 92mg/dL. Diante do quadro,Em relação ao diagnóstico, pode-se afirmar que

Alternativas

  1. A) o mais provável é tratar-se de dislipidemia secundária.
  2. B) os xantomas em tendão calcâneo são sinais patognomônicos de dislipidemia primária.
  3. C) apesar da dislipidemia, a paciente apresenta baixo risco cardiovascular devido ao HDL elevado.
  4. D) a paciente possui critérios suficientes para o diagnóstico de hipercolesterolemia familiar.

Pérola Clínica

LDL > 190 mg/dL, história familiar de DCV precoce e xantomas tendíneos em jovem → Hipercolesterolemia Familiar.

Resumo-Chave

A presença de LDL muito elevado (>190 mg/dL), história familiar de doença cardiovascular aterosclerótica prematura (pai com infarto aos 49 anos) e achados físicos como xantomas tendíneos são critérios diagnósticos clássicos para Hipercolesterolemia Familiar, uma dislipidemia primária grave.

Contexto Educacional

A hipercolesterolemia familiar (HF) é uma doença genética autossômica dominante caracterizada por níveis muito elevados de colesterol LDL desde o nascimento, levando a um risco substancialmente aumentado de doença cardiovascular aterosclerótica prematura. É uma das dislipidemias primárias mais comuns, afetando cerca de 1 em 250 indivíduos. O diagnóstico precoce é crucial, pois permite a intervenção terapêutica antes do desenvolvimento de complicações graves. A história familiar de eventos cardiovasculares precoces (infarto, AVC) em parentes de primeiro grau é um forte indicativo, assim como a presença de xantomas tendíneos ou arco corneano em pacientes jovens. A fisiopatologia da HF envolve mutações em genes que codificam proteínas envolvidas no metabolismo do LDL-C, mais comumente no gene do receptor de LDL (LDLR), mas também em APOB ou PCSK9. Essas mutações resultam em uma depuração ineficiente do LDL-C da circulação, levando ao acúmulo e deposição nas paredes arteriais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Dutch Lipid Clinic Network ou Simon Broome, que consideram níveis de LDL-C, história familiar, doença cardiovascular prematura e achados físicos. Testes genéticos podem confirmar o diagnóstico, mas não são estritamente necessários para iniciar o tratamento. O tratamento da HF é agressivo e visa reduzir os níveis de LDL-C o mais cedo possível para prevenir ou retardar a aterosclerose. Estatinas são a terapia de primeira linha, frequentemente em doses máximas, e podem ser combinadas com ezetimiba ou inibidores de PCSK9 em casos de difícil controle. A modificação do estilo de vida, embora importante, geralmente não é suficiente para normalizar os níveis de LDL-C. O prognóstico melhora significativamente com o tratamento precoce e contínuo, destacando a importância da triagem familiar e do manejo rigoroso.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de hipercolesterolemia familiar?

Os critérios incluem LDL-C muito elevado (geralmente >190 mg/dL em adultos), história familiar de doença cardiovascular aterosclerótica prematura (em parentes de primeiro grau <55 anos em homens, <60 anos em mulheres) e a presença de xantomas tendíneos ou arco corneano antes dos 45 anos.

Por que os xantomas tendíneos são importantes na hipercolesterolemia familiar?

Os xantomas tendíneos são depósitos de colesterol em tendões, classicamente no tendão de Aquiles, e são sinais patognomônicos de hipercolesterolemia familiar. Sua presença indica uma elevação crônica e significativa dos níveis de LDL-C.

Qual o risco cardiovascular de pacientes com hipercolesterolemia familiar?

Pacientes com hipercolesterolemia familiar têm um risco significativamente elevado de doença cardiovascular aterosclerótica precoce, incluindo infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, devido à exposição prolongada a níveis muito altos de LDL-C desde o nascimento. O tratamento precoce é crucial.

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