Hipercolesterolemia Familiar: Manejo com Inibidores PCSK9

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024

Enunciado

Youssef, 38 anos, de origem libanesa, realiza acompanhamento no serviço universitário devido dislipidemia. Faz uso regular da associação rosuvastatina+ezetimiba 20/10 mg/dia, há 1 ano. Ao exame físico, apresenta arco corneano e xantomas eruptivos em punhos. Apresenta PA 120x70 mmHg, frequência cardíaca 68 bpm e índice de massa corpórea 21 kg/m². Quando questionado, informa que pai teve infarto aos 47 anos, e avô paterno teve morte súbita aos 49 anos. Traz laboratório atualizado: glicose 92 mg/dL; HBa1c 5,4%; HDL-c 32 mg/dL; LDL 290 mg/dL; triglicerídeos 180 mg/dL. A terapia de escolha a ser prescrita nesse momento é:

Alternativas

  1. A) Tirzepatida.
  2. B) Evolocumabe.
  3. C) Fenofibrato.
  4. D) Adalimumabe.
  5. E) Ômega 3.

Pérola Clínica

LDL > 190 mg/dL + história familiar precoce + estigmas cutâneos → Hipercolesterolemia Familiar grave, considerar inibidor PCSK9.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um quadro clássico de hipercolesterolemia familiar (HF) grave, com LDL muito elevado (>290 mg/dL), história familiar de doença cardiovascular precoce e estigmas como xantomas e arco corneano. Apesar do uso de estatina de alta potência e ezetimiba, o LDL permanece muito alto, indicando a necessidade de intensificação terapêutica com inibidores de PCSK9.

Contexto Educacional

A Hipercolesterolemia Familiar (HF) é uma doença genética autossômica dominante caracterizada por níveis muito elevados de colesterol LDL desde o nascimento, levando a um risco significativamente aumentado de doença cardiovascular aterosclerótica precoce. É uma das doenças genéticas mais comuns, mas frequentemente subdiagnosticada. A identificação é crucial devido ao alto risco de eventos cardiovasculares em idades jovens. O diagnóstico é baseado em níveis de LDL-c muito elevados (geralmente >190 mg/dL em adultos, >160 mg/dL em crianças), história familiar de HF ou doença cardiovascular precoce, e achados clínicos como xantomas tendíneos, xantelasmas e arco corneano precoce. A fisiopatologia envolve mutações em genes que afetam o metabolismo do LDL, como o receptor de LDL (LDLR), APOB ou PCSK9. O tratamento da HF é agressivo e visa reduzir o LDL-c para metas rigorosas. A terapia inicial consiste em estatinas de alta potência, frequentemente combinadas com ezetimiba. Em pacientes que não atingem as metas ou que apresentam doença cardiovascular estabelecida, a adição de inibidores de PCSK9 (como evolocumabe ou alirocumabe) é a terapia de escolha, devido à sua potente capacidade de reduzir o LDL-c.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos da Hipercolesterolemia Familiar?

Sinais clínicos incluem xantomas tendíneos ou eruptivos, xantelasmas, arco corneano precoce (antes dos 45 anos) e história familiar de doença cardiovascular aterosclerótica prematura.

Quando considerar o uso de inibidores de PCSK9 no tratamento da dislipidemia?

Inibidores de PCSK9 são indicados para pacientes com hipercolesterolemia familiar ou doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida que não atingem as metas de LDL-c com estatinas de alta intensidade e ezetimiba.

Qual o mecanismo de ação dos inibidores de PCSK9?

Os inibidores de PCSK9 são anticorpos monoclonais que se ligam à proteína PCSK9, impedindo-a de degradar os receptores de LDL na superfície dos hepatócitos. Isso aumenta o número de receptores de LDL, que removem mais LDL-c da circulação.

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