USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem, 65 anos, tabagista 50 anos maço, queixa de dispneia aos esforços há 3 anos, com piora intensa há 3 dias. Exame físico: MEG, corado, consciente e orientado; MV presente, sibilos difusos, Saturação de 02 de 80% ar ambiente, FR: 30 ipm. Instalado oxigênio suplementar através do dispositivo abaixo (foto) a 15 L/min, com aumento da saturação de 0₂ para 97%. O paciente evoluiu com piora do nível de consciência, acordando apenas aos estímulos dolorosos. Qual é a alteração gasométrica esperada nesse momento?
DPOC + O2 suplementar excessivo → ↓ drive respiratório → retenção CO2 → hipercapnia e acidose respiratória.
Em pacientes com DPOC crônico, o drive respiratório é mantido principalmente pela hipoxemia. A administração excessiva de oxigênio suplementar pode suprimir esse drive, levando à hipoventilação, retenção de CO2 e consequente hipercapnia grave, que se manifesta com piora do nível de consciência.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição progressiva caracterizada por limitação do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição prolongada a partículas nocivas, como a fumaça do tabaco. Pacientes com DPOC grave frequentemente desenvolvem hipoxemia crônica e, em alguns casos, hipercapnia crônica compensada. A exacerbação aguda da DPOC é uma causa comum de internação hospitalar. A fisiopatologia da retenção de CO2 em pacientes com DPOC em oxigenoterapia envolve múltiplos mecanismos. O principal é a supressão do drive hipóxico, onde a administração de oxigênio em altas concentrações remove o estímulo hipoxêmico para a ventilação, levando à hipoventilação. Além disso, o efeito Haldane reduz a capacidade do sangue de transportar CO2, e a redistribuição do fluxo sanguíneo pulmonar para áreas menos ventiladas pode aumentar o espaço morto fisiológico. O manejo da exacerbação da DPOC inclui broncodilatadores, corticosteroides sistêmicos e, se necessário, antibióticos. A oxigenoterapia deve ser administrada com cautela, visando uma saturação de O2 entre 88-92%, utilizando dispositivos que permitam controle preciso da FiO2, como a máscara de Venturi. A monitorização do nível de consciência e da gasometria arterial é fundamental para detectar precocemente a hipercapnia e acidose respiratória, que podem exigir ventilação não invasiva ou invasiva.
Em DPOC crônico, o centro respiratório se adapta à hipercapnia e o drive respiratório passa a ser estimulado principalmente pela hipoxemia. Oxigênio em excesso remove esse estímulo, levando à hipoventilação e retenção de CO2.
Sinais incluem piora do nível de consciência (sonolência, letargia, coma), cefaleia, asterixis e, em casos graves, acidose respiratória com risco de vida.
O objetivo é manter uma saturação de oxigênio entre 88-92%, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperoxemia, que pode levar à hipercapnia.
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