HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Sobre o tratamento no pronto atendimento de um paciente com potássio sérico de 6,7 mmol\l e sem alterações eletrocardiográficas, é correto afirmar:
Hipercalemia grave (K > 6.5) sem ECG alterado: Glicoinsulina + Fenoterol + Furosemida para deslocar e eliminar K+.
Em hipercalemia grave (K > 6.5 mmol/L), mesmo sem alterações eletrocardiográficas, é crucial iniciar medidas para deslocar o potássio para o intracelular (glicoinsulina, beta-agonistas como fenoterol) e promover sua eliminação (furosemida). O gluconato de cálcio é para estabilização de membrana em caso de alterações no ECG.
A hipercalemia é uma emergência médica que pode levar a arritmias cardíacas fatais. É definida como níveis séricos de potássio acima de 5,5 mmol/L, sendo considerada grave acima de 6,5 mmol/L. O manejo no pronto-socorro visa estabilizar a membrana cardíaca, deslocar o potássio para o intracelular e promover sua eliminação do corpo. A ausência de alterações eletrocardiográficas não exclui a necessidade de tratamento imediato em casos de hipercalemia grave. O tratamento da hipercalemia grave, mesmo sem alterações no ECG, envolve uma abordagem multifacetada. A solução de glicoinsulina (glicose + insulina) é fundamental, pois a insulina estimula a entrada de potássio nas células. A nebulização com beta-agonistas, como o fenoterol ou salbutamol, também promove o deslocamento intracelular de potássio. Para a eliminação do potássio, diuréticos de alça como a furosemida intravenosa são utilizados, aumentando a excreção renal de potássio. É crucial diferenciar as indicações dos medicamentos. O gluconato de cálcio é um estabilizador de membrana cardíaca, indicado principalmente na presença de alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, prolongamento PR, alargamento QRS) para prevenir arritmias, mas não reduz o potássio sérico. Resinas de troca iônica (como poliestirenossulfonato de cálcio) atuam na remoção do potássio pelo trato gastrointestinal, mas têm um início de ação mais lento e não são a primeira escolha em emergências. A compreensão desses mecanismos e indicações é vital para o manejo seguro e eficaz da hipercalemia.
O gluconato de cálcio atua estabilizando a membrana miocárdica, protegendo o coração dos efeitos da hipercalemia, mas não reduz o nível sérico de potássio. A glicoinsulina, por outro lado, desloca o potássio do espaço extracelular para o intracelular, diminuindo o potássio sérico.
O fenoterol, um beta-agonista, é usado na hipercalemia para promover o deslocamento de potássio para o intracelular, através da estimulação da bomba Na+/K+-ATPase. É uma medida adjunta à glicoinsulina para reduzir rapidamente os níveis séricos de potássio.
A diálise é indicada para hipercalemia refratária ao tratamento clínico, em pacientes com insuficiência renal grave ou terminal, ou quando há risco de vida iminente e as outras medidas não são suficientes para controlar os níveis de potássio.
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