Hipercalemia Pré-Operatória: Manejo e Suspensão de Losartana

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 83 anos, com boa funcionalidade prévia ao internamento e histórico de hipertensão, com uso prévio de losartana e hidroclorotiazida. Admitida no Pronto Socorro do Hospital Cajuru por queda de mesmo nível após síncope, cursando com fratura de fêmur. Ao exame inicial, encontrava-se hemodinamicamente estável, porém com dor intensa. Saturação periférica de oxigênio de 94% em ar ambiente, pressão arterial de 110x70 mmHg e frequência cardíaca de 94bpm. Exames laboratoriais pré-operatórios mostraram: creatinina de 0,8mg por dL; eritrograma normal; leucograma normal; plaquetas normais; potássio de 6,2 mEq por litro; sódio de 135mEq por litro; glicemia com jejum de 98mg por dL. Sobre o manejo da paciente, assinale a afirmativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) A losartana deve ser suspensa.
  2. B) Deve-se medir a paciente deitada e em pé para afastar hipotensão ortostática pela hidroclorotiazida como causa da síncope.
  3. C) Devido ao alto risco cardiovascular da paciente, deve ser solicitado um ecocardiograma de estresse antes do procedimento.
  4. D) O controle da dor deve ser feito com cetoprofeno.
  5. E) A introdução de um beta bloqueador no pré-operatório está associado à menor incidência de arritmias pós-operatórias e menos complicações cardiovasculares em pacientes de alto risco.

Pérola Clínica

Hipercalemia pré-operatória em idoso com IECA/BRA → Suspender medicação e corrigir K+ antes da cirurgia.

Resumo-Chave

A hipercalemia (K+ > 5,5 mEq/L) é uma condição de risco no pré-operatório, especialmente em pacientes idosos e com uso de IECA/BRA. A losartana, um BRA, deve ser suspensa para evitar piora da hipercalemia e instabilidade hemodinâmica durante a cirurgia.

Contexto Educacional

Pacientes idosos com comorbidades, como hipertensão e uso de múltiplos medicamentos, representam um desafio no manejo pré-operatório. A síncope e a fratura de fêmur indicam a necessidade de uma avaliação abrangente. A hipercalemia (potássio de 6,2 mEq/L) é um achado crítico que exige atenção imediata antes de qualquer procedimento cirúrgico, devido ao risco de arritmias cardíacas fatais. Medicamentos como losartana (um bloqueador do receptor de angiotensina - BRA) e hidroclorotiazida (um diurético tiazídico) podem influenciar os níveis eletrolíticos e a hemodinâmica. Os BRA e IECA são conhecidos por poderem causar hipercalemia, especialmente em pacientes com disfunção renal ou em uso concomitante de diuréticos poupadores de potássio. A suspensão desses medicamentos no pré-operatório imediato é uma prática comum para minimizar o risco de hipotensão e hipercalemia durante a cirurgia. O manejo pré-operatório de pacientes idosos com fratura de fêmur deve incluir a correção de distúrbios eletrolíticos, otimização do estado volêmico e avaliação cuidadosa do risco cardiovascular. A dor deve ser controlada com analgésicos que não comprometam a função renal ou a coagulação, evitando AINEs como o cetoprofeno em idosos com risco renal e cardiovascular. A avaliação de hipotensão ortostática é importante para investigar a causa da síncope, mas a correção da hipercalemia e a suspensão da losartana são prioridades imediatas.

Perguntas Frequentes

Por que a losartana deve ser suspensa no pré-operatório com hipercalemia?

A losartana, um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), pode agravar a hipercalemia ao inibir a secreção de aldosterona. A hipercalemia é um risco anestésico e cirúrgico, podendo causar arritmias cardíacas graves.

Quais são as causas comuns de síncope em idosos?

As causas comuns de síncope em idosos incluem hipotensão ortostática (muitas vezes induzida por diuréticos ou anti-hipertensivos), arritmias cardíacas, estenose aórtica, disfunção autonômica e causas neurológicas, exigindo investigação abrangente.

Qual o risco de manter IECA/BRA no pré-operatório?

Manter IECA/BRA no pré-operatório pode aumentar o risco de hipotensão refratária à vasopressão durante a anestesia e cirurgia, além de agravar a hipercalemia, especialmente em pacientes desidratados ou com disfunção renal preexistente.

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