HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022
Mulher de 66 anos de idade, diabética e hipertensa, em uso de enalapril e metformina, comparece a consulta ambulatorial com queixa de astenia e turvação visual há 2 dias. É encaminhada ao Departamento de Emergência após realizar o seguinte eletrocardiograma. Qual deve ser a conduta imediata?
Hipercalemia grave com alterações ECG → Gluconato de cálcio para estabilizar membrana miocárdica.
O gluconato de cálcio é a conduta imediata em hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas, pois estabiliza o miocárdio, prevenindo arritmias fatais. Embora não reduza o potássio sérico, ele antagoniza os efeitos cardíacos da hipercalemia.
A hipercalemia é uma emergência eletrolítica comum, definida como potássio sérico > 5,5 mEq/L, e pode ser fatal devido aos seus efeitos cardíacos. É frequentemente associada a condições como insuficiência renal, uso de medicamentos (IECA, BRA, diuréticos poupadores de potássio) e diabetes. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir arritmias malignas e morte súbita, sendo um tópico de grande relevância em provas de residência e na prática clínica. A fisiopatologia da hipercalemia envolve a alteração do potencial de repouso das membranas celulares, tornando-as mais excitáveis inicialmente e, posteriormente, inativando os canais de sódio, o que leva à depressão da condução cardíaca. O diagnóstico é feito pela dosagem sérica de potássio e pelo ECG, que pode mostrar ondas T apiculadas, prolongamento do PR, alargamento do QRS e, em estágios avançados, padrões sinusoidais. A suspeita deve ser alta em pacientes com fatores de risco e sintomas inespecíficos como astenia. O tratamento da hipercalemia grave com alterações no ECG exige conduta imediata. O gluconato de cálcio é a primeira linha para estabilizar o miocárdio, seguido por medidas que promovem o deslocamento do potássio para o intracelular (insulina com glicose, beta-agonistas) e sua eliminação do corpo (diuréticos, resinas, diálise). O prognóstico depende da rapidez e eficácia do tratamento, sendo fundamental o monitoramento contínuo do paciente.
As alterações incluem ondas T apiculadas e estreitas, prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS e, em casos graves, fibrilação ventricular ou assistolia.
O gluconato de cálcio não reduz os níveis séricos de potássio, mas estabiliza o potencial de membrana dos cardiomiócitos, antagonizando os efeitos despolarizantes do potássio elevado e protegendo o coração contra arritmias.
Outras medidas incluem insulina com glicose, beta-agonistas (salbutamol), bicarbonato de sódio (em acidose), diuréticos de alça e resinas de troca iônica para remover o potássio do corpo, e diálise em casos refratários.
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