UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020
Homem, 62 anos, hipertenso e insuficiência cardíaca, em uso de captopril 100 mg/dia, aldactone 50mg/dia, foi internado na unidade de emergência após episódio de desmaio e perda da consciência. Ao exame, tinha Glasgow de 11, bradicardia (FC = 48 bat/min), estase jugular ++/4, PA = 150/82 mmHg. Exames laboratoriais, Potássio = 8,2 mEq/L, Creatinina = 3,2 mg/dL e Uréia= 102 mg/dL. Em relação ao caso clínico, assinalar a opção CORRETA.
Hipercalemia grave com alterações ECG → Gluconato de cálcio IV para estabilizar miocárdio + medidas para reduzir potássio.
O paciente apresenta hipercalemia grave (K=8,2 mEq/L) com manifestações cardíacas (bradicardia, desmaio), provavelmente exacerbada pelo uso de captopril e espironolactona em um contexto de insuficiência renal. A prioridade é estabilizar a membrana cardíaca com gluconato de cálcio e promover a excreção de potássio com furosemida.
A hipercalemia é uma emergência médica que pode levar a arritmias cardíacas fatais. É definida como níveis séricos de potássio acima de 5,5 mEq/L, e sua gravidade aumenta com a elevação dos níveis e a presença de alterações eletrocardiográficas. Pacientes com insuficiência renal, insuficiência cardíaca e em uso de medicamentos como IECA, BRA e diuréticos poupadores de potássio (espironolactona) são particularmente suscetíveis. O diagnóstico é feito pela dosagem sérica de potássio e pela avaliação do eletrocardiograma (ECG), que pode mostrar ondas T apiculadas, prolongamento do PR e alargamento do QRS. O manejo visa primeiramente estabilizar a membrana cardíaca com gluconato de cálcio intravenoso, que age rapidamente protegendo o miocárdio. Em seguida, medidas para deslocar o potássio para o intracelular (insulina com glicose, beta-agonistas, bicarbonato de sódio em acidose) e para remover o potássio do corpo (diuréticos de alça como furosemida, resinas de troca iônica, e em casos refratários, hemodiálise) devem ser implementadas. A suspensão dos medicamentos que contribuem para a hipercalemia é fundamental.
A hipercalemia grave pode causar ondas T apiculadas, prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS, perda da onda P e, em casos extremos, padrão sinusoidal e assistolia.
O gluconato de cálcio não reduz os níveis séricos de potássio, mas estabiliza a membrana miocárdica, protegendo o coração dos efeitos arritmogênicos da hipercalemia.
A hemodiálise é indicada em hipercalemia grave refratária às terapias medicamentosas, em pacientes com insuficiência renal avançada ou quando há risco iminente de vida.
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