FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2020
Homem de 72 anos, hipertenso, com doença renal crônica, queixando-se de mal- estar e fraqueza generalizada, relata ter faltado na última sessão de hemodiálise. Exame físico sem alterações, exceto por PA 180 x100 mmHg e flapping. Eletrocardiograma demonstrou: Qual a conduta imediata?
Hipercalemia grave com alterações ECG/sintomas → Gluconato de cálcio IV (estabiliza miocárdio).
Pacientes com Doença Renal Crônica que faltam à hemodiálise estão em alto risco de desenvolver hipercalemia grave, uma emergência médica que pode levar a arritmias cardíacas fatais. O gluconato de cálcio intravenoso é a conduta imediata para estabilizar a membrana miocárdica e proteger o coração dos efeitos da hipercalemia, enquanto outras medidas para reduzir o potássio sérico são implementadas.
A hipercalemia é uma emergência médica comum, especialmente em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), que apresentam diminuição da excreção renal de potássio. A falta de sessões de hemodiálise agrava o risco, levando ao acúmulo de potássio e outras toxinas. Os sintomas variam de fraqueza muscular e parestesias a arritmias cardíacas potencialmente fatais, que são a principal causa de mortalidade. O diagnóstico de hipercalemia é feito por dosagem sérica de potássio, mas a gravidade e a necessidade de intervenção imediata são ditadas pelas alterações eletrocardiográficas (ECG). Ondas T apiculadas e estreitas são os primeiros sinais, seguidos por prolongamento do intervalo PR, alargamento do complexo QRS e, em casos extremos, fibrilação ventricular ou assistolia. O flapping, ou asterixis, no contexto de DRC, sugere encefalopatia urêmica, um sinal de uremia avançada. A conduta imediata na hipercalemia grave com alterações no ECG é a administração intravenosa de gluconato de cálcio (ou cloreto de cálcio), que age rapidamente estabilizando o potencial de membrana dos cardiomiócitos, sem alterar os níveis séricos de potássio. Simultaneamente, devem ser iniciadas terapias para deslocar o potássio para o espaço intracelular (insulina com glicose, salbutamol) e para remover o potássio do organismo (furosemida, resinas de troca iônica, e hemodiálise em casos de DRC avançada ou refratários).
Os sintomas incluem fraqueza muscular, mal-estar, paralisia e, em casos graves, arritmias cardíacas. No ECG, podem ser observadas ondas T apiculadas, prolongamento do PR, alargamento do QRS e bradicardia.
O gluconato de cálcio não reduz os níveis séricos de potássio, mas estabiliza a membrana miocárdica, protegendo o coração contra os efeitos arritmogênicos da hipercalemia, sendo crucial em emergências.
Após a estabilização miocárdica, devem ser administradas medidas para deslocar o potássio para o intracelular (insulina com glicose, beta-agonistas) e para remover o potássio do corpo (diuréticos, resinas de troca, hemodiálise).
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