Hipercalemia Grave: Manejo e Proteção Cardíaca

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 64 anos, foi admitido no pronto-socorro com quadro de fraqueza nas pernas e palpitações há dois dias, tendo apresentado síncope há duas horas. É portador de diabetes mellitus há 20 anos, com retinopatia, doença renal crônica estágio 3b e miocardiopatia isquêmica com fração de ejeção levemente reduzida. Faz uso contínuo de insulina NPH, losartana, carvedilol e AAS, com uso esporádico de furosemida. Há 15 dias, foi associada espironolactona pelo antecedente de miocardiopatia. Na admissão, paciente encontra-se com PA = 110 x 70 mmHg, taquipneico leve e euvolêmico. O eletrocardiograma realizado na admissão está ilustrado a seguir.Com base no exposto, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) A principal medida a ser realizada é encaminhar o paciente para trombólise ou angioplastia primária.
  2. B) O uso de diurético de alça é contraindicado pelo risco de agravamento do quadro cardíaco.
  3. C) A infusão de gluconato de cálcio endovenoso terá efeito protetor sobre as células miocárdicas.
  4. D) A administração de amiodarona endovenosa é essencial para a prevenção de arritmias graves nesse paciente.
  5. E) A administração de insulina e glicose está contraindicada pelo risco elevado de hipoglicemia.

Pérola Clínica

Hipercalemia grave com alterações ECG → Gluconato de cálcio para estabilização miocárdica.

Resumo-Chave

Em pacientes com hipercalemia grave e alterações eletrocardiográficas, o gluconato de cálcio é a primeira linha de tratamento para estabilizar a membrana miocárdica e prevenir arritmias fatais, agindo rapidamente sem reduzir os níveis séricos de potássio.

Contexto Educacional

A hipercalemia é uma emergência médica caracterizada por níveis séricos de potássio acima de 5,5 mEq/L, com risco de arritmias cardíacas fatais. Sua prevalência é maior em pacientes com doença renal crônica, insuficiência cardíaca e naqueles que utilizam medicamentos que afetam o metabolismo do potássio, como inibidores da ECA, bloqueadores do receptor de angiotensina e diuréticos poupadores de potássio. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar complicações graves. O diagnóstico de hipercalemia é confirmado por exames laboratoriais, mas a avaliação do eletrocardiograma é fundamental para determinar a gravidade e a necessidade de intervenção imediata. Alterações como ondas T apiculadas, prolongamento do PR e alargamento do QRS indicam risco iminente de arritmias. A fisiopatologia envolve a despolarização parcial das membranas celulares, tornando-as mais excitáveis e, paradoxalmente, menos responsivas a estímulos subsequentes. O tratamento da hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas inicia-se com a estabilização da membrana miocárdica com gluconato de cálcio. Em seguida, medidas para deslocar o potássio para o intracelular (insulina com glicose, beta-agonistas) e para remover o potássio do corpo (diuréticos de alça, resinas de troca iônica, diálise) devem ser implementadas. O prognóstico depende da rapidez e eficácia do tratamento, sendo um tema de grande importância na prática clínica e em provas de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais eletrocardiográficos de hipercalemia grave?

A hipercalemia grave pode causar ondas T apiculadas e estreitas, prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS, perda das ondas P e, em casos extremos, fibrilação ventricular ou assistolia.

Qual a conduta inicial na hipercalemia com alterações no ECG?

A conduta inicial é a administração de gluconato de cálcio intravenoso para estabilizar a membrana miocárdica e proteger o coração contra arritmias, independentemente dos níveis séricos de potássio.

Quais medicamentos podem precipitar hipercalemia em pacientes com DRC?

Medicamentos como espironolactona (diurético poupador de potássio), inibidores da ECA (como losartana) e AINEs podem aumentar o risco de hipercalemia, especialmente em pacientes com doença renal crônica.

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