SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Homem, 65 anos, diabético tipo 2 e hipertenso, chega à emergência com fraqueza muscular progressiva e palpitações. Encontra-se em uso de enalapril e espironolactona. Exames laboratoriais: • Potássio sérico: 6,8 mEq/L; • Creatinina: 2,5 mg/dL (baseline 1,4); • pH arterial: 7,28; • ECG: ondas T apiculadas, alargamento do QRS. Qual é a conduta mais adequada inicialmente para o paciente, considerando que ele apresenta hipercalemia grave e alteração eletrocardiográfica?
K+ >6,5 ou alteração no ECG → Gluconato de Cálcio (Estabilização) + Medidas de Shift.
A hipercalemia com alterações eletrocardiográficas é uma emergência médica que exige estabilização imediata da membrana miocárdica antes das medidas de redução do potássio.
A hipercalemia é uma das distúrbios eletrolíticos mais perigosos na prática clínica, frequentemente associada ao uso de IECA, BRA e poupadores de potássio em pacientes com doença renal crônica. O ECG é uma ferramenta fundamental, mas sua ausência de alterações não exclui o risco de arritmias súbitas. O tratamento é dividido em três pilares: estabilização da membrana (cálcio), redistribuição intracelular (insulina, beta-agonistas, bicarbonato) e eliminação (diuréticos, resinas, diálise).
O cálcio intravenoso é utilizado para estabilizar o potencial de membrana das células miocárdicas, antagonizando o efeito tóxico do potássio no coração. Ele não reduz os níveis séricos de potássio, mas previne arritmias fatais e parada cardíaca. Deve ser administrado imediatamente se houver alterações no ECG (como ondas T em tenda ou alargamento do QRS) ou se o potássio estiver acima de 6,5 mEq/L.
A insulina estimula a bomba Na+/K+-ATPase, promovendo a entrada de potássio do espaço extracelular para o intracelular. A glicose é administrada concomitantemente para prevenir a hipoglicemia iatrogênica. É uma medida de 'shift' (desvio intracelular) que reduz temporariamente o potássio sérico em cerca de 0,5 a 1,0 mEq/L em 30 a 60 minutos.
A hemodiálise é o método mais eficaz para a remoção definitiva de potássio. É indicada em casos de hipercalemia refratária às medidas farmacológicas, insuficiência renal anúrica, lesão tecidual maciça (rabdomiólise) ou quando há sobrecarga volêmica associada que impede a administração de grandes volumes de soluções intravenosas.
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