CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, 34 anos, vítima de atropelamento em via pública, apresentando fratura de bacia e lesão tipo esmagamento de membro inferior direito com fraturas de fêmur e tíbia. Foi submetido a cirurgia ortopédica para fixação da fratura de bacia e estabilização das fraturas, sendo hidratado com Ringer Lactato e transfundido 3 concentrados de hemácias. Evoluiu com insuficiência renal aguda no pós-operatório, sendo solicitado parecer do nefrologista. O paciente, porém, apresentou quadro de fraqueza muscular importante e dor torácica. À ausculta torácica, observamos ritmo cardíaco irregular (arritmia), sendo realizado um ECG que evidenciou onda T apiculada e bloqueio átrio-ventricular. Sobre o provável distúrbio eletrolítico deste paciente e sua condução, assinale a alternativa INCORRETA:
Hipercalemia grave com alterações ECG (onda T apiculada, BAV) → estabilizar miocárdio (gluconato Ca) e reduzir K+ (insulina/glicose, hemodiálise). Resinas são lentas.
O paciente apresenta um quadro clássico de hipercalemia grave, provavelmente secundária à rabdomiólise (lesão por esmagamento) e insuficiência renal aguda. As alterações eletrocardiográficas (onda T apiculada, BAV) são indicativas de urgência. O tratamento imediato visa estabilizar o miocárdio e rapidamente reduzir os níveis séricos de potássio.
A hipercalemia é um distúrbio eletrolítico potencialmente fatal, especialmente quando associado a alterações eletrocardiográficas. O caso apresentado ilustra uma situação clínica comum onde a hipercalemia se desenvolve: rabdomiólise (devido à lesão por esmagamento) liberando potássio intracelular, combinada com insuficiência renal aguda (IRA) que impede a excreção renal de potássio. As manifestações clínicas, como fraqueza muscular e dor torácica, e as alterações no ECG (ondas T apiculadas e bloqueio átrio-ventricular) são sinais claros de hipercalemia grave e urgência médica. O manejo da hipercalemia grave é multifacetado e visa três objetivos principais: estabilizar a membrana cardíaca, promover o deslocamento do potássio para o compartimento intracelular e remover o excesso de potássio do organismo. A estabilização da membrana é feita com gluconato de cálcio intravenoso, que age rapidamente protegendo o miocárdio. O deslocamento intracelular é obtido com insulina e glicose (solução polarizante), beta-agonistas (salbutamol) e bicarbonato de sódio (em acidose metabólica). A remoção do potássio é realizada com diuréticos de alça (se houver função renal residual), resinas de troca catiônica (como o poliestirenossulfonato de cálcio ou sódio, que agem no trato gastrointestinal, mas têm início de ação lento) e, em casos de urgência ou IRA grave, a hemodiálise. A hemodiálise é o método mais eficaz e rápido para remover potássio do corpo, sendo a escolha em situações de risco de vida com instabilidade cardíaca ou falha renal. A alternativa incorreta na questão destaca a importância de escolher a intervenção mais apropriada para a gravidade do quadro.
As alterações progridem com o aumento do potássio: ondas T apiculadas e estreitas, prolongamento do intervalo PR, achatamento ou ausência da onda P, alargamento do QRS e, em casos graves, ritmo sinusoidal (onda senoidal) e assistolia.
A primeira medida é a administração intravenosa de gluconato de cálcio a 10% para estabilizar a membrana miocárdica e antagonizar os efeitos cardíacos do potássio, sem reduzir o nível sérico de potássio.
A hemodiálise é indicada em casos de hipercalemia grave refratária ao tratamento clínico, na presença de insuficiência renal aguda ou crônica avançada, ou quando há manifestações cardíacas graves e persistentes que exigem uma remoção rápida e eficaz do potássio.
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