SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de 65 anos de idade, com insuficiência renal crônica, apresenta hipercalemia (K* = 6,8 mEq/L) e ECG com ondas T apiculadas. Considerando esse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta a medida de emergência a ser adotada com prioridade nesse caso:
K+ > 6.5 ou ECG alterado → Gluconato de Cálcio IV imediato (estabiliza membrana).
A prioridade na hipercalemia com repercussão eletrocardiográfica é a proteção miocárdica. O cálcio antagoniza o efeito do potássio no potencial de repouso celular sem reduzir a calemia.
A hipercalemia é uma das emergências metabólicas mais críticas, especialmente em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC). O aumento do potássio extracelular reduz o gradiente elétrico através da membrana celular, tornando o potencial de repouso menos negativo (despolarização parcial), o que inativa canais de sódio e lentifica a condução cardíaca. O tratamento é dividido em três pilares: estabilização da membrana (cálcio), redistribuição intracelular (insulina/glicose, beta-2 agonistas) e eliminação (diuréticos, resinas, diálise). O gluconato de cálcio 10% deve ser administrado em 2-5 minutos e seu efeito dura cerca de 30-60 minutos, servindo como uma ponte vital para terapias definitivas.
O gluconato de cálcio é utilizado para antagonizar os efeitos tóxicos do potássio no sistema de condução cardíaco. Ele aumenta o limiar de potencial de ação, estabilizando a excitabilidade da membrana dos miócitos e prevenindo arritmias fatais como fibrilação ventricular. É uma medida temporária de 'escudo' enquanto outras terapias (como insulina/glicose ou diálise) trabalham na remoção efetiva do potássio sérico.
As alterações progridem conforme os níveis de potássio aumentam. Inicialmente, observa-se ondas T apiculadas e simétricas (em 'tenda'). Com a progressão, ocorre o achatamento da onda P, prolongamento do intervalo PR, alargamento do complexo QRS e, em casos extremos, a formação de um padrão de onda sinusoidal, que precede a parada cardiorrespiratória em assistolia ou atividade elétrica sem pulso.
A diálise é o tratamento definitivo para remoção de potássio, especialmente em pacientes com insuficiência renal oligoanúrica. É indicada quando há hipercalemia refratária ao tratamento clínico (insulina, beta-agonistas, bicarbonato), presença de alterações eletrocardiográficas persistentes ou quando o paciente apresenta sobrecarga volêmica concomitante que impede a hidratação ou uso de diuréticos.
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