Hipercalemia na Rabdomiólise: Manejo e Cuidados Essenciais

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 27 anos é trazido ao pronto atendimento após esmagamento do membro inferior direito em acidente de trabalho. Queixa-se de parestesia nos quatro membros e fraqueza generalizada. Os exames eram creatinina: 1,2 mg/dL, potássio: 7,5 meq/L, CK total: 5.670. O ECG está apresentado a seguir: Sobre o caso descrito, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Deve-se iniciar hidratação venosa vigorosa para prevenção de injúria renal aguda, e o ringer lactato é uma alternativa adequada.
  2. B) Os beta-2-agonistas e a insulina regular com glicose podem reduzir os níveis séricos do potássio.
  3. C) Além da hipercalemia, esse paciente possui risco aumentado de outros distúrbios eletrolíticos, como hipocalcemia e hiperfosfatemia.
  4. D) O paciente deve ser monitorizado, e deve-se administrar gluconato de cálcio 1g endovenoso, e repetir a cada 10 minutos se persistirem as alterações elétricas cardíacas.

Pérola Clínica

Hipercalemia grave com ECG alterado → Gluconato de cálcio + medidas para ↓ K. Ringer Lactato contraindicado.

Resumo-Chave

Em casos de rabdomiólise com hipercalemia grave (K > 6.5 mEq/L ou alterações no ECG), a estabilização da membrana cardíaca com gluconato de cálcio é prioritária. Soluções contendo potássio, como o Ringer Lactato, são contraindicadas para hidratação, devendo-se preferir soro fisiológico 0,9%.

Contexto Educacional

A rabdomiólise é uma síndrome caracterizada pela lesão muscular e liberação de componentes intracelulares na circulação, como creatinoquinase (CK), mioglobina, potássio e fosfato. É uma condição grave que pode levar a complicações como injúria renal aguda (IRA) e distúrbios eletrolíticos com risco de vida, sendo crucial para residentes reconhecer e manejar prontamente. A etiologia é variada, incluindo trauma (esmagamento), exercício extenuante, uso de drogas, infecções e doenças genéticas. O diagnóstico é baseado na história clínica, sintomas como mialgia, fraqueza e urina escura, e exames laboratoriais, com destaque para a elevação da CK (geralmente > 5x o limite superior da normalidade) e a presença de hipercalemia. A hipercalemia é a complicação mais aguda e perigosa, podendo causar arritmias cardíacas fatais, especialmente quando há alterações no eletrocardiograma (ECG). Outros distúrbios incluem hiperfosfatemia e hipocalcemia, que podem agravar o quadro clínico. O tratamento da rabdomiólise foca na prevenção da IRA através de hidratação venosa vigorosa com soro fisiológico 0,9% e no manejo dos distúrbios eletrolíticos. Para a hipercalemia grave com alterações no ECG, o gluconato de cálcio é a primeira linha para estabilizar o miocárdio. Medidas para reduzir o potássio sérico incluem insulina com glicose, beta-2-agonistas e, se necessário, diálise. É fundamental monitorar o paciente de perto, especialmente o ECG e os eletrólitos, para evitar complicações fatais e garantir a recuperação da função renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de hipercalemia grave no ECG?

A hipercalemia grave pode causar ondas T apiculadas e estreitas, prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS, perda da onda P e, em casos extremos, padrão sinusoidal que pode evoluir para assistolia ou fibrilação ventricular.

Qual a conduta inicial para hipercalemia com alterações no ECG?

A conduta inicial é a administração de gluconato de cálcio intravenoso para estabilizar a membrana cardíaca e proteger contra arritmias. Em seguida, devem ser iniciadas medidas para deslocar o potássio para o intracelular (insulina com glicose, beta-2-agonistas) e remover o potássio do corpo (diuréticos, resinas de troca, diálise).

Quais outros distúrbios eletrolíticos podem ocorrer na rabdomiólise?

Além da hipercalemia, a rabdomiólise pode causar hiperfosfatemia devido à liberação de fosfato das células musculares lesadas, e hipocalcemia, pois o cálcio se deposita nos músculos danificados e pode ser quelado pelo fosfato elevado.

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