Hipercalemia Grave: Diagnóstico e Manejo Imediato

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente, sexo feminino, diabética de longa data, portadora de doença renal crônica estágio cinco, realiza hemodiálise como terapia renal substitutiva. Após faltar sua última sessão de hemodiálise, é admitida em serviço de urgência com paresia dos membros inferiores. Foi solicitado eletrocardiograma. O achado eletrocardiográfico, o distúrbio hidroeletrolítico implicado e a conduta imediata, respectivamente são:

Alternativas

  1. A) fibrilação atrial, hipercalemia, amiodarona.
  2. B)  ritmo juncional, hiperfosfatemia, hemodiálise.
  3. C)  onda t em tenda, hipercalemia, gluconato de cálcio.
  4. D)  ritmo sinusal, hipocalemia, cloreto de potássio.
  5. E)  taquicardia ventricular polimórfica, hipomagnesemia, sulfato de magnésio.

Pérola Clínica

DRC estágio V + falta diálise + paresia + ECG onda T em tenda → Hipercalemia grave = Gluconato de cálcio.

Resumo-Chave

Pacientes com doença renal crônica em hemodiálise são de alto risco para hipercalemia, especialmente após faltar sessões. A hipercalemia grave pode causar arritmias cardíacas e fraqueza muscular, sendo a onda T apiculada um sinal precoce no ECG. O gluconato de cálcio estabiliza a membrana miocárdica, protegendo contra arritmias fatais.

Contexto Educacional

A hipercalemia é uma emergência médica comum, especialmente em pacientes com doença renal crônica (DRC), que requer reconhecimento e tratamento rápidos para prevenir arritmias cardíacas fatais. A falha na adesão à hemodiálise é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de hipercalemia grave. A compreensão dos achados eletrocardiográficos é crucial para o diagnóstico e a estratificação de risco. A fisiopatologia da hipercalemia envolve a despolarização parcial das células cardíacas e neuromusculares, levando a alterações na condução elétrica e excitabilidade. No ECG, a onda T apiculada e simétrica é um sinal precoce, progredindo para prolongamento do PR, alargamento do QRS e, eventualmente, fibrilação ventricular ou assistolia. A paresia dos membros inferiores é um sintoma neuromuscular que pode indicar hipercalemia grave. O tratamento da hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas inicia-se com a estabilização da membrana miocárdica com gluconato de cálcio. Em seguida, medidas para deslocar o potássio para o intracelular (insulina com glicose, beta-agonistas) e para remover o potássio do corpo (diuréticos, resinas de troca, hemodiálise) devem ser implementadas. A hemodiálise é a forma mais eficaz de remover o potássio em pacientes com DRC.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados eletrocardiográficos da hipercalemia?

Os achados incluem onda T apiculada e simétrica ("em tenda"), prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS e, em casos graves, fibrilação ventricular ou assistolia.

Qual a conduta imediata na hipercalemia com alterações no ECG?

A conduta imediata é a administração intravenosa de gluconato de cálcio para estabilizar a membrana miocárdica e proteger o coração contra arritmias fatais.

Por que o gluconato de cálcio é a primeira escolha na hipercalemia grave?

O gluconato de cálcio age rapidamente, em minutos, antagonizando os efeitos cardíacos do potássio elevado, sem alterar os níveis séricos de potássio, mas prevenindo arritmias.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo