Manejo da Hipercalemia na Insuficiência Renal Aguda

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Homem, com 65 anos de idade, tabagista, internado com suspeita de trombose venosa profunda, realizou tomografia de tórax e angiotomografia de membro inferior com contraste. Dois dias após o procedimento, houve redução de volume urinário para 400 mL, em 24 horas. Exames solicitados em caráter de urgência evidenciam creatinina = 2,5 mg/dL, K = 5,7 mEq/L e Ureia = 112 mg/dL. O eletrocardiograma realizado mostra hemibloqueio de ramo esquerdo e alterações inespecíficas da repolarização ventricular. Para o caso, considerando os níveis de potássio sérico, a intervenção apropriada, neste momento é:

Alternativas

  1. A) Furosemida EV.
  2. B) Gluconato de cálcio EV.
  3. C) Resina trocadora de potássio oral.
  4. D) Beta adrenérgico inalatório.
  5. E) Insulina com glicose EV.

Pérola Clínica

K+ < 6,5 mEq/L sem alterações de ECG → Usar resinas de troca para eliminação definitiva.

Resumo-Chave

Na hipercalemia leve a moderada (K 5,7) sem instabilidade elétrica no ECG, a prioridade é a remoção do potássio do organismo através de resinas de troca ou diuréticos.

Contexto Educacional

A hipercalemia é uma complicação comum e potencialmente fatal da Insuficiência Renal Aguda (IRA), neste caso provavelmente secundária ao uso de contraste iodado (Nefropatia por Contraste). O manejo depende do nível de potássio e da presença de alterações no ECG. Níveis entre 5,5 e 6,5 mEq/L sem repercussão eletrocardiográfica permitem o uso de medidas que promovem a excreção lenta, como as resinas de troca. É fundamental diferenciar as medidas de estabilização (cálcio), redistribuição (insulina/beta-agonistas) e eliminação (resinas/diuréticos/diálise). No cenário apresentado, o paciente está oligúrico e com K de 5,7, tornando a resina de troca a intervenção mais apropriada para iniciar a remoção do excesso de potássio enquanto se monitora a evolução da função renal.

Perguntas Frequentes

Quando indicar o Gluconato de Cálcio na hipercalemia?

O gluconato de cálcio é indicado apenas quando há evidência de toxicidade cardíaca no ECG (como ondas T em 'tenda', desaparecimento da onda P ou alargamento do complexo QRS). Ele estabiliza a membrana do cardiomiócito, mas não reduz os níveis séricos de potássio.

Como funcionam as resinas de troca?

As resinas, como o poliestirenossulfonato de cálcio ou sódio, atuam no lúmen intestinal trocando íons (cálcio ou sódio) por potássio, que é então excretado nas fezes. É uma medida de eliminação definitiva, ideal para pacientes estáveis.

Quais são as medidas de redistribuição de potássio?

As medidas de redistribuição (shift intracelular) incluem a solução polarizante (insulina + glicose), beta-2 agonistas inalatórios e bicarbonato de sódio. Elas reduzem o potássio plasmático rapidamente, mas o efeito é temporário, pois o potássio permanece no corpo.

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