Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Durante a visita matinal em uma enfermaria de nefrologia, um paciente de 58 anos, portador de doença renal crônica estágio 5, sem diurese residual, relata náuseas, fraqueza muscular e confusão mental progressiva há dois dias. Está em hemodiálise três vezes por semana. Sinais vitais: PA 138x80 mmHg, FC 84 bpm. ECG mostra ondas T apiculadas e alargamento discreto do QRS. Laboratório: K+ 6,9 mEq/L, Na+ 138 mEq/L, HCO3− 20 mEq/L. Qual é a conduta imediata MAIS apropriada?
K+ > 6,5 + Alteração no ECG + Anúria → Gluconato de Cálcio + Hemodiálise IMEDIATA.
Em pacientes com DRC estágio 5 e anúria, medidas de espoliação renal (furosemida) são inúteis; a estabilização miocárdica com cálcio deve ser seguida por remoção extracorpórea (diálise).
A hipercalemia é uma das emergências metabólicas mais temidas na nefrologia. O ECG é uma ferramenta fundamental, mas sua sensibilidade é limitada; alterações como ondas T apiculadas ('em tenda'), achatamento de onda P e alargamento do complexo QRS indicam toxicidade cardíaca iminente. O tratamento divide-se em três pilares: estabilização da membrana (cálcio), redistribuição intracelular (insulina/glicose, beta-agonistas) e remoção do organismo (diálise, resinas ou diuréticos). Em pacientes anúricos, a remoção depende exclusivamente da diálise ou, em menor grau, de resinas de troca, sendo a diálise a via preferencial pela rapidez e previsibilidade.
O gluconato de cálcio (ou cloreto de cálcio) atua na estabilização da membrana dos cardiomiócitos. Ele antagoniza os efeitos do potássio no potencial de repouso da membrana, reduzindo a excitabilidade miocárdica e prevenindo arritmias fatais como fibrilação ventricular. Importante: o cálcio não reduz os níveis séricos de potássio, ele apenas 'ganha tempo' para que medidas de remoção sejam iniciadas.
A furosemida atua no ramo ascendente da alça de Henle para promover a excreção de potássio. No entanto, o paciente em questão possui Doença Renal Crônica estágio 5 e está em anúria (sem diurese residual), o que significa que o rim não tem capacidade funcional para responder ao diurético. Insistir nessa conduta retarda a hemodiálise, que é o único método eficaz de remoção de potássio para este paciente.
As indicações incluem: potássio > 6,5 mEq/L refratário ao tratamento clínico, hipercalemia associada a alterações graves no ECG (como alargamento de QRS ou ritmo sinoventricular), pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica anúrica, e situações de lise tumoral ou rabdomiólise maciça onde a carga de potássio excede a capacidade de excreção.
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