Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020
Um jovem de 22 anos de idade foi levado ao pronto-socorro por seus colegas, que notaram que ele chegara em casa repleto de hematomas pelo corpo, após se envolver em briga durante balada da noite anterior. Na admissão, apresentando Glasgow 15, sinais vitais estáveis, hematomas extensos em face, braços, tórax e pernas, queixava-se de dor nos locais dos ferimentos contusos, além de diminuição de volume urinário. Após triagem e avaliação da cirurgia geral, que descartou fraturas ósseas e de uretra, além de traumatismo cranioencefálico, o residente da clínica médica foi convocado para avaliar o resultado dos exames laboratoriais, que mostraram: sódio 142 mmol/L (VR 135-145 mmol/L); potássio 6,2 mEq/L (VR 3,5-5,5 mmol/L); cálcio corrigido 9 mg/dL (VR 8,6-10,2 mg/dL); CPK 5.000 U/L (VR 22,0-334,0 U/L); ureia 55 mg/dL (VR 16-40 mg/dL); e creatinina 1 mg/dL (VR 0,6-1,2 mg/dL). Considerando a presença de alterações eletrocardiográficas compatíveis com a elevação do íon sérico nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o primeiro fármaco a ser administrado.
Hipercalemia com ECG alterado → Gluconato de cálcio IV para estabilizar miocárdio, independente da causa.
A hipercalemia com alterações eletrocardiográficas (ondas T apiculadas, prolongamento PR, alargamento QRS) é uma emergência médica que requer intervenção imediata para proteger o coração. O gluconato de cálcio age rapidamente estabilizando a membrana miocárdica, sem reduzir os níveis séricos de potássio, mas prevenindo arritmias fatais.
A hipercalemia é uma emergência eletrolítica definida por níveis séricos de potássio acima de 5,5 mEq/L, com risco de arritmias cardíacas fatais. A rabdomiólise, como sugerido pela CPK elevada e história de trauma, é uma causa comum de hipercalemia e lesão renal aguda, devido à liberação de potássio e outras substâncias intracelulares na circulação. A avaliação rápida do eletrocardiograma (ECG) é crucial para determinar a gravidade e a urgência do tratamento. As alterações eletrocardiográficas na hipercalemia progridem de ondas T apiculadas para prolongamento do PR, achatamento da onda P, alargamento do QRS e, em casos graves, podem levar a fibrilação ventricular ou assistolia. A presença dessas alterações indica a necessidade de intervenção imediata para proteger o miocárdio. O tratamento da hipercalemia com alterações no ECG inicia-se com gluconato de cálcio endovenoso, que age rapidamente estabilizando a membrana cardíaca e prevenindo arritmias, sem alterar os níveis séricos de potássio. Em seguida, são administrados agentes que promovem o deslocamento do potássio para o intracelular (insulina com glicose, beta-agonistas) e, finalmente, medidas para remover o potássio do organismo (diuréticos de alça, resinas de troca iônica, diálise em casos refratários ou insuficiência renal grave).
As alterações incluem ondas T apiculadas e estreitas, prolongamento do intervalo PR, achatamento da onda P, alargamento do complexo QRS e, em casos graves, fibrilação ventricular ou assistolia.
O gluconato de cálcio não reduz o potássio sérico, mas estabiliza o potencial de membrana dos cardiomiócitos, protegendo o coração contra os efeitos arritmogênicos da hipercalemia de forma rápida.
Após a estabilização cardíaca, são utilizadas medidas para deslocar o potássio para o intracelular (insulina/glicose, beta-agonistas) e para remover o potássio do corpo (diuréticos de alça, resinas de troca iônica, diálise).
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo