SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Homem, 73 anos de idade, hipertenso, em uso de losartana e anlodipino, diabético, em uso de dapaglifozina, e com doença renal crônica não dialítica, procura atendimento por dor torácica. Pressão arterial de 80x50 mmHg. Monitorização mostra taquicardia ventricular monomórfica. Após cardioversão elétrica sincronizada, é realizado o eletrocardiograma a seguir: A conduta imediata é:
Hipercalemia + Alteração ECG → Gluconato de Cálcio 10% (estabiliza membrana, não reduz K+).
Em pacientes com DRC e uso de iRA (Losartana), a hipercalemia é uma causa comum de arritmias. O gluconato de cálcio é a primeira medida para prevenir fibrilação ventricular.
A hipercalemia é uma emergência metabólica comum em pacientes com doença renal crônica (DRC), frequentemente exacerbada pelo uso de medicamentos que interferem no eixo renina-angiotensina-aldosterona, como a Losartana. A apresentação clínica pode variar de fraqueza muscular a arritmias letais, como a taquicardia ventricular monomórfica observada no caso. O reconhecimento imediato das alterações no ECG é vital. O tratamento inicial foca na proteção cardíaca imediata (Cálcio), seguido pela redistribuição do potássio para o meio intracelular e, finalmente, sua remoção do organismo. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica e DRC, a hemodiálise deve ser considerada precocemente.
O gluconato de cálcio é utilizado para estabilizar a membrana dos cardiomiócitos. O aumento do potássio extracelular torna o potencial de repouso da membrana menos negativo, aproximando-o do limiar de excitabilidade, o que gera instabilidade elétrica. O cálcio aumenta o limiar de disparo, restaurando o gradiente de voltagem e prevenindo arritmias fatais como a fibrilação ventricular. É importante notar que ele não altera a concentração de potássio no sangue.
As alterações progridem conforme os níveis de potássio aumentam: inicialmente observa-se ondas T apiculadas e simétricas ('em tenda'). Com a progressão, ocorre achatamento da onda P, prolongamento do intervalo PR e alargamento do complexo QRS. Em níveis críticos, o QRS pode se fundir com a onda T, formando um padrão sinusoidal, precedendo a assistolia ou fibrilação ventricular.
Após a estabilização da membrana com cálcio, deve-se promover o 'shifter' intracelular (insulina com glicose, beta-2 agonistas inalatórios ou bicarbonato de sódio se acidose) e a eliminação do potássio (diuréticos de alça, resinas de troca como o poliestirenossulfonato de cálcio ou, em casos graves e refratários como na DRC avançada, a hemodiálise de emergência).
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