Hipercalemia Grave: Manejo de Emergência e Tratamento

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 9 anos, sexo feminino, com diagnóstico de insuficiência renal crônica secundária à nefrite lúpica, chega à emergência com queixa de edema em mãos e pés e diminuição do débito urinário há 24h. Avaliação clínica e laboratorial inicial mostram eletrocardiografia com onda P achatada e onda T apiculada, além de potássio sérico de 7,1mEq/L. Para reduzir os níveis séricos de potássio, a melhor opção de tratamento é:

Alternativas

  1. A) vasopressina, na dose de 0,0001U/kg/min, por via intravenosa, associada à insulinoterapia
  2. B) glicose 10%, na dose de 1 g/kg, por via intravenosa, associada à insulinoterapia
  3. C) gluconato de cálcio 10%, na dose de 1ml/kg, por via intravenosa
  4. D) ringer lactato, na dose de 20ml/kg, por via intravenosa

Pérola Clínica

Hipercalemia grave (K+ > 6,5 ou ECG alterado) → Gluconato de cálcio (proteção cardíaca) + Glicose/Insulina (deslocamento K+).

Resumo-Chave

Em hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas, a prioridade é estabilizar a membrana cardíaca com gluconato de cálcio. Em seguida, para reduzir os níveis séricos de potássio, a combinação de glicose e insulina é eficaz, promovendo o deslocamento do potássio para o intracelular.

Contexto Educacional

A hipercalemia é uma emergência médica, especialmente em pacientes com insuficiência renal crônica, como no caso descrito. Níveis séricos de potássio acima de 6,5 mEq/L, ou a presença de alterações eletrocardiográficas, indicam hipercalemia grave e exigem intervenção imediata devido ao risco de arritmias cardíacas fatais. O diagnóstico de hipercalemia é laboratorial, mas a avaliação do eletrocardiograma (ECG) é crucial para determinar a gravidade e a necessidade de tratamento imediato. Alterações como ondas T apiculadas, achatamento da onda P e alargamento do QRS são indicativos de cardiotoxicidade. A fisiopatologia envolve a diminuição da excreção renal de potássio e, em alguns casos, o deslocamento do potássio para o espaço extracelular. O tratamento da hipercalemia grave com alterações no ECG inicia-se com a estabilização da membrana cardíaca, utilizando gluconato de cálcio. Em seguida, para reduzir os níveis séricos de potássio, são empregadas terapias que promovem o deslocamento intracelular do potássio, como a combinação de glicose e insulina intravenosa, ou beta-agonistas. Medidas para remover o potássio do corpo, como diuréticos de alça ou resinas de troca iônica, e em casos refratários, diálise, também são essenciais.

Perguntas Frequentes

Quais as alterações eletrocardiográficas mais comuns na hipercalemia grave?

As alterações incluem ondas T apiculadas e estreitas, achatamento da onda P, prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS e, em casos extremos, fibrilação ventricular ou assistolia. O ECG reflete a cardiotoxicidade do potássio.

Qual o papel do gluconato de cálcio no tratamento da hipercalemia?

O gluconato de cálcio não reduz os níveis séricos de potássio, mas estabiliza a membrana cardíaca, protegendo o coração dos efeitos arritmogênicos da hipercalemia. É a primeira medida em casos com alterações no ECG.

Como a combinação de glicose e insulina age na hipercalemia?

A insulina estimula a bomba Na+/K+-ATPase, promovendo o deslocamento do potássio do espaço extracelular para o intracelular. A glicose é administrada concomitantemente para prevenir a hipoglicemia induzida pela insulina.

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