Hipercalemia na Rabdomiólise: Sinais no ECG e Manejo

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2024

Enunciado

Jovem, 25 anos, é vítima de acidente automobilístico de alta energia cinética há 6 horas. Devido a alta destruição e deformidade dos carros envolvidos, permaneceu por mais de 4 horas sob ferragens até ser resgatado. É admitido em sala de emergência consciente, eupneico em ar ambiente, com queixas de náuseas, dor importante nos membros inferiores e abdome (locais que ficaram sob destroços do carro). Não apresenta nenhuma fratura exposta apesar do grande edema de membros inferiores. Tem sua via aérea pérvia. Tórax sem lesões. Ausculta cardíaca com bulhas rítmicas, sem sopros. Sem déficits neurológicos. Abdome indolor, sem sinais de peritonite. Pulsos distais dos membros inferiores presentes, com edema importante. De imediato foi realizada expansão com cristaloides, sonda vesical de demora (sem débito desde a hora do acidente), oferta de oxigênio, e monitorização. Permanece estável hemodinamicamente. Após monitorização, foi realizado o eletrocardiograma abaixo. Sobre o caso acima, assinale a correta.

Alternativas

  1. A) Hipercalemia - Ritmo irregular, com complexo QRS alargado, compatível com o quadro de lesão muscular aguda.
  2. B) Hipercalemia - Onda T elevada em amplitude e sem assimetria, compatível com o quadro de lesão muscular aguda.
  3. C) Ruptura traumática de aorta - Achatamento de todo eletrocardiograma, compatível com área do hematoma aórtico.
  4. D) Ruptura traumática de aorta - Onda T elevada em amplitude e sem assimetria, ""em tenda"", compatível com lesão de reperfusão.

Pérola Clínica

Lesão por esmagamento + anúria + edema MMII + ECG com onda T apiculada = Hipercalemia por rabdomiólise.

Resumo-Chave

A rabdomiólise, comum em lesões por esmagamento prolongado, libera potássio intracelular, causando hipercalemia. O ECG é crucial para identificar essa emergência, que pode levar a arritmias fatais, e a onda T apiculada é um sinal precoce.

Contexto Educacional

A rabdomiólise é uma síndrome clínica e laboratorial caracterizada pela lesão muscular esquelética, resultando na liberação de componentes intracelulares para a circulação. É frequentemente associada a traumas de alta energia, como lesões por esmagamento, e pode levar a complicações graves como insuficiência renal aguda e distúrbios eletrolíticos, sendo a hipercalemia a mais perigosa. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir arritmias fatais. O diagnóstico da rabdomiólise é baseado na história clínica, exame físico (dor muscular, edema, urina escura) e exames laboratoriais (elevação da creatinofosfoquinase - CPK, mioglobinúria, hipercalemia). A hipercalemia é uma emergência médica que se manifesta no eletrocardiograma com alterações progressivas, começando com ondas T apiculadas e simétricas ("em tenda"), seguidas por prolongamento do PR, achatamento da onda P e alargamento do QRS. A ausência de débito urinário no caso clínico reforça a suspeita de lesão renal aguda associada. O tratamento da rabdomiólise envolve hidratação vigorosa para prevenir a insuficiência renal e o manejo das complicações. A hipercalemia grave com alterações eletrocardiográficas exige tratamento imediato, incluindo gluconato de cálcio para estabilizar o miocárdio, insulina com glicose e beta-agonistas para deslocar o potássio para o intracelular, e diuréticos de alça ou diálise para remover o excesso de potássio. A monitorização contínua do ECG é fundamental para avaliar a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais eletrocardiográficos da hipercalemia?

Os sinais incluem ondas T apiculadas e simétricas, prolongamento do intervalo PR, achatamento da onda P, alargamento do QRS e, em casos graves, fibrilação ventricular ou assistolia.

Qual a fisiopatologia da hipercalemia na rabdomiólise?

A rabdomiólise é a destruição de células musculares, liberando potássio, mioglobina e outras substâncias para a circulação, levando à hipercalemia e insuficiência renal aguda.

Qual a conduta inicial para hipercalemia grave com alterações no ECG?

A conduta inicial inclui estabilização da membrana cardíaca com gluconato de cálcio, seguido de medidas para deslocar o potássio para o intracelular (insulina + glicose, beta-agonistas) e remover potássio do corpo (diuréticos, resinas, diálise).

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