MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 68 anos, com diagnóstico prévio de insuficiência cardíaca de fração de ejeção reduzida (32%) e doença renal crônica (creatinina basal de 1,8 mg/dL), é admitido no pronto-socorro com quadro de dispneia progressiva aos esforços, ortopneia e edema de membros inferiores há 5 dias. Faz uso regular de carvedilol, enalapril e espironolactona. Ao exame físico, apresenta-se taquipneico, com estertores crepitantes em terços inferiores de ambos os pulmões e turgência jugular patológica. Foram administradas doses elevadas de furosemida endovenosa e suspensos os medicamentos nefrotóxicos. Após 48 horas, o paciente apresenta redução importante do débito urinário (250 mL nas últimas 24h) e sonolência. Os exames laboratoriais atuais revelam: Creatinina 4,2 mg/dL; Ureia 158 mg/dL; Sódio 136 mEq/L; Potássio 6,4 mEq/L; Cloro 102 mEq/L. A gasometria arterial em ar ambiente mostra: pH 7,22; pCO2 32 mmHg; pO2 72 mmHg; Bicarbonato 12 mEq/L; Excesso de base (BE) -11 mEq/L; Saturação de O2 93%. Com base no quadro clínico e nos distúrbios metabólicos apresentados, assinale a alternativa correta:
Acidose metabólica → H+ entra na célula e K+ sai → Hipercalemia por desvio transcelular.
A acidose metabólica induz a saída de potássio do meio intracelular para o extracelular (troca por H+), agravando a hipercalemia em pacientes com disfunção renal.
O manejo de distúrbios hidroeletrolíticos em pacientes com insuficiência cardíaca e renal exige compreensão profunda da fisiologia ácido-básica. A hipercalemia é uma complicação frequente e potencialmente letal, especialmente quando a excreção renal está comprometida por uma Síndrome Cardiorrenal Aguda. A acidemia mineral promove o shift de K+ para fora da célula, o que pode ser exacerbado pelo uso prévio de IECA e poupadores de potássio. O tratamento de emergência envolve três pilares: estabilização de membrana (cálcio), medidas de redistribuição (insulina com glicose, beta-2-agonistas e bicarbonato se acidose grave) e medidas de eliminação definitiva (diuréticos de alça, resinas de troca ou hemodiálise). No caso clínico, a acidose metabólica com anion gap elevado (uremia) justifica o desvio transcelular como fator agravante da hipercalemia.
Durante a acidose metabólica (especialmente acidoses minerais), o excesso de íons H+ no sangue tende a entrar nas células para ser tamponado. Para manter a eletroneutralidade, o potássio (K+), que é o principal cátion intracelular, sai das células para o espaço extracelular, elevando os níveis séricos de potássio.
O gluconato de cálcio a 10% atua antagonizando os efeitos eletrofisiológicos do potássio na membrana dos cardiomiócitos. Ele aumenta o limiar de excitabilidade celular, estabilizando a membrana e prevenindo arritmias fatais, mas não possui efeito redutor sobre a concentração sérica de potássio.
É a disfunção renal aguda (IRA) decorrente de uma descompensação cardíaca aguda. A redução do débito cardíaco e, principalmente, o aumento da pressão venosa central (congestão renal) levam à queda da pressão de perfusão efetiva e da taxa de filtração glomerular, resultando em uremia e distúrbios eletrolíticos.
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