Hipercalemia por Bloqueio do SRAA: Causas e Riscos

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Paciente idoso, 72 anos, diabético, hipertenso, dá entrada no pronto-socorro, com queixa de fraqueza de membros inferiores e mal-estar. Fazendo uso de espironolactona 25 mg ao dia, enalapril 20 mg ao dia, metoprolol 25 mg ao dia. Refere estar fazendo uso nos últimos dias de Sulfametoxazol+Trimetopim devido à suspeita de pneumonia. Aos exames iniciais: Na 148 mEq/1, K 7,2 mEq/l, Glicemia 187 mg/dl, Hemograma com 8.750 leucócitos sem desvio neutrofílico, plaquetas 197.000. Considerando o quadro descrito, o motivo principal da alteração eletrolítica é:

Alternativas

  1. A) O bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
  2. B) A desidratação devido à pneumopatia.
  3. C) A diminuição do gradiente intra/extracelular, levando a saída do íon intracelular.
  4. D) A Insuficiência Renal Aguda devido ao Diabetes Mellitus.

Pérola Clínica

IECA + Espironolactona + SMX-TMP = Risco crítico de hipercalemia por bloqueio do SRAA.

Resumo-Chave

A hipercalemia grave neste paciente resulta da soma de múltiplos fármacos que reduzem a excreção renal de potássio ao interferir no eixo renina-angiotensina-aldosterona.

Contexto Educacional

A regulação do potássio sérico depende fundamentalmente da ação da aldosterona no néfron distal. O paciente em questão apresenta um 'combo' de inibição desse sistema: o Enalapril reduz a produção de angiotensina II e, consequentemente, de aldosterona; a Espironolactona bloqueia diretamente o receptor mineralocorticoide; e a Trimetoprima inibe a reabsorção de sódio no canal ENaC. O diabetes mellitus preexistente frequentemente cursa com hipoaldosteronismo hiporreninêmico, o que agrava ainda mais a incapacidade renal de excretar potássio. Este cenário clínico é um exemplo clássico de iatrogenia por polifarmácia em idosos. A fraqueza muscular referida é um sintoma neuromuscular comum da hipercalemia, refletindo a alteração do potencial de repouso das membranas celulares. O reconhecimento imediato dessas interações medicamentosas é crucial para evitar arritmias fatais e instituir o tratamento de emergência.

Perguntas Frequentes

Como a trimetoprima causa hipercalemia?

A trimetoprima possui uma estrutura química semelhante ao diurético poupador de potássio amilorida. Ela bloqueia os canais de sódio epiteliais (ENaC) no túbulo distal e ducto coletor, reduzindo o gradiente eletroquímico necessário para a secreção de potássio. Em pacientes que já utilizam outros bloqueadores do SRAA, como IECA ou espironolactona, esse efeito é potencializado, podendo levar a níveis fatais de potássio.

Quais são as alterações eletrocardiográficas da hipercalemia?

A hipercalemia é uma emergência potencialmente letal. As alterações no ECG progridem conforme o nível de potássio: ondas T altas, pontiagudas e de base estreita (em tenda); achatamento da onda P e prolongamento do intervalo PR; alargamento do complexo QRS; e, finalmente, padrão de onda sinusoidal, que precede a assistolia ou fibrilação ventricular.

Qual a conduta imediata na hipercalemia com K+ de 7,2 mEq/L?

Com níveis acima de 6,5 mEq/L ou alterações no ECG, a prioridade é a estabilização da membrana miocárdica com Gluconato de Cálcio 10% IV. Em seguida, utilizam-se medidas para promover o shift intracelular de potássio (insulina com glicose, beta-2 agonistas inalatórios) e medidas para eliminação do potássio corporal (diuréticos de alça, resinas de troca ou hemodiálise, se refratário).

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