Hipercalemia em DRC: Manejo Ambulatorial e Medicações

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Atencão: Considere o caso clinico abaixo para responder a questão.Mulher, 63 anos de idade, comparece ao ambulatório para consulta de rotina. No momento, está assintomática e relata estar urinando normalmente. Não teve nenhuma intercorrência no período. Tem história de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, e doença renal crônica estágio IIIb, estando em uso de enalapril 20 mg duas vezes por dia, aniodipino 10 mg/dia, hidroclorotiazida 25 mg/dia e espironolactona 25 mg/dia. Ao exame, apresenta FC: 66 bpm e PA: 138 x 86 mmHg. Tem crepitos discretos em bases de ambos os hemotóraces e discreto edema perimaleolar. Sem sinais de edema ou outras alterações ao exame dos demais aparelhos e sistemas. Os exames laboratoriais realizados há dois dias seguem abaixo.Foi solicitado um eletrocardiograma que pode ser visto na imagem a seguir:A conduta que deve ser adotada neste momento com relação à hipercalemia, além de orientar dieta hipocalêmica.

Alternativas

  1. A) Manter todas as medicações e iniciar uso de furosemida e bicarbonato de sódio oral ambulatorialmente.
  2. B) Suspender espironolactona e iniciar uso de furosemida e bicarbonato de sódio oral ambulatorialmente.
  3. C) Encaminhar o paciente para a unidade de emergência para realização de solução de glicose e insulina (polarizante) e furosemida.
  4. D) Suspender enalapril e espironolactona, além de iniciar uso de poliestirenossulfonato de cálcio (Sorcal) ambulatorialmente.
  5. E) Encaminhar o paciente para a unidade de emergência com indicação de iniciar infusão de gluconato de cálcio.

Pérola Clínica

Hipercalemia em DRC + espironolactona → suspender espironolactona + furosemida + bicarbonato oral.

Resumo-Chave

A espironolactona é um diurético poupador de potássio e seu uso em pacientes com DRC aumenta o risco de hipercalemia. Diante de hipercalemia ambulatorial, a suspensão do agente causador (espironolactona) e a introdução de furosemida (diurético de alça que aumenta a excreção de potássio) e bicarbonato de sódio (para correção de acidose e deslocamento de potássio intracelular) são medidas adequadas.

Contexto Educacional

A hipercalemia, definida como níveis séricos de potássio acima de 5,0-5,5 mEq/L, é uma condição eletrolítica grave que pode levar a arritmias cardíacas fatais. É particularmente comum em pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), que têm uma capacidade reduzida de excretar potássio. O uso de certos medicamentos, como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e diuréticos poupadores de potássio (como a espironolactona), aumenta significativamente o risco de hipercalemia nesses pacientes. No caso apresentado, a paciente com DRC estágio IIIb e em uso de espironolactona, mesmo assintomática, apresenta risco elevado de hipercalemia. A conduta inicial para hipercalemia leve a moderada, sem alterações eletrocardiográficas graves, inclui a identificação e remoção da causa. A suspensão da espironolactona é fundamental, pois ela impede a excreção de potássio. Além disso, a introdução de furosemida, um diurético de alça, promove a excreção renal de potássio. O bicarbonato de sódio oral é útil para corrigir a acidose metabólica (comum na DRC) e deslocar o potássio para o interior das células, reduzindo rapidamente os níveis séricos. Em casos de hipercalemia grave ou com alterações eletrocardiográficas, medidas de emergência como gluconato de cálcio, insulina e glicose, e beta-agonistas devem ser consideradas, mas o cenário da questão sugere manejo ambulatorial para uma hipercalemia menos aguda.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos podem causar hipercalemia em pacientes com DRC?

Medicamentos como inibidores da ECA (enalapril), bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), diuréticos poupadores de potássio (espironolactona, amilorida) e AINEs podem elevar o potássio, especialmente em pacientes com função renal comprometida.

Por que a espironolactona deve ser suspensa na hipercalemia?

A espironolactona é um diurético poupador de potássio, ou seja, ela diminui a excreção de potássio pelos rins. Em pacientes com hipercalemia, especialmente com DRC, sua suspensão é crucial para reduzir os níveis séricos de potássio.

Como a furosemida e o bicarbonato de sódio auxiliam no tratamento da hipercalemia?

A furosemida, um diurético de alça, aumenta a excreção renal de potássio. O bicarbonato de sódio, por sua vez, corrige a acidose metabólica (se presente) e promove o deslocamento do potássio do espaço extracelular para o intracelular, diminuindo rapidamente seus níveis séricos.

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