Hipercalcemia Maligna: Diagnóstico e Tratamento Urgente

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 60 anos com histórico de câncer de pulmão de células escamosas procura o pronto-socorro com confusão mental, fraqueza e dor abdominal. Exames laboratoriais mostram:Cálcio sérico: 13,8 mg/dL (referência: 8,5–10,5 mg/dL)PTH: suprimido (<5 pg/mL; referência 15–65 pg/mL)Fósforo: normalQual é o diagnóstico mais provável e a conduta mais indicada?

Alternativas

  1. A) Hipercalcemia maligna; iniciar hidratação venosa e considerar bisfosfonatos.
  2. B) Hiperparatireoidismo primário; indicar paratireoidectomia.
  3. C) Hipercalcemia por excesso de vitamina D; suspender suplementos e iniciar corticosteroides.
  4. D) Hiperparatireoidismo secundário; iniciar vitamina D e fósforo.
  5. E) Hipercalcemia idiopática; observar e repetir exames após 48 horas.

Pérola Clínica

Câncer + Ca ↑ + PTH ↓ → Hipercalcemia maligna; tratar com hidratação e bisfosfonatos.

Resumo-Chave

A hipercalcemia maligna é uma emergência oncológica comum, especialmente em cânceres de pulmão. A supressão do PTH e o fósforo normal, na presença de um câncer conhecido, apontam para essa etiologia. O tratamento inicial visa reduzir o cálcio sérico rapidamente para evitar complicações graves.

Contexto Educacional

A hipercalcemia da malignidade é uma das emergências oncológicas mais frequentes, afetando cerca de 10-20% dos pacientes com câncer. É mais comum em neoplasias de pulmão (especialmente células escamosas), mama, mieloma múltiplo e linfomas. Sua importância clínica reside na morbidade significativa e na necessidade de intervenção rápida para evitar complicações neurológicas, renais e cardíacas. A fisiopatologia envolve principalmente a produção de PTHrP (peptídeo relacionado ao paratormônio) por células tumorais, que mimetiza a ação do PTH, ou a destruição óssea direta por metástases. O diagnóstico é feito pela tríade de cálcio sérico elevado, PTH suprimido e fósforo normal, em um paciente com câncer conhecido. A suspeita deve surgir em pacientes oncológicos com sintomas inespecíficos como fadiga, confusão, náuseas e poliúria. O tratamento visa reduzir rapidamente os níveis de cálcio. A hidratação venosa com soro fisiológico é a primeira linha, seguida por bisfosfonatos para inibir a reabsorção óssea. Em casos refratários, calcitonina, denosumabe ou diálise podem ser considerados. O prognóstico está intimamente ligado ao controle da doença oncológica subjacente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da hipercalcemia maligna?

Os sintomas da hipercalcemia maligna são inespecíficos e incluem confusão mental, fraqueza, náuseas, vômitos, dor abdominal e poliúria. A gravidade dos sintomas geralmente se correlaciona com os níveis séricos de cálcio.

Qual a conduta inicial para hipercalcemia grave?

A conduta inicial para hipercalcemia grave (>12 mg/dL) envolve hidratação venosa agressiva com soro fisiológico 0,9% para aumentar a excreção renal de cálcio. Bisfosfonatos como o pamidronato ou ácido zoledrônico são administrados para inibir a reabsorção óssea.

Como diferenciar hipercalcemia maligna de hiperparatireoidismo primário?

A diferenciação é crucial e baseia-se nos níveis de PTH. Na hipercalcemia maligna, o PTH é suprimido, enquanto no hiperparatireoidismo primário, o PTH está elevado ou inapropriadamente normal para o nível de cálcio.

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