Hipercalcemia da Malignidade: Poliúria e Câncer Esofágico

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021

Enunciado

Paciente 60 anos, tabagista e etilista de longa data, admitido para internação hospitalar devido a disfagia, perda de 15 kg nos últimos três meses, espessamento das regiões palmoplantares, sendo submetido a endoscopia digestiva alta que evidenciou lesão tumoral no esôfago médio. O paciente, evidentemente desidratado, apresentava-se poliúrico, o que levou a equipe médica a considerar a ocorrência de uma complicação associada a neoplasia esofágica. A justificativa da poliúria apresentada no caso é

Alternativas

  1. A) síndrome de secreção inapropriada do ADH, ocasionando hipernatremia relacionada a adenocarcinoma de esôfago.
  2. B) diabetes insipidus nefrogênico causado por hipercalcemia pela produção de PTHrp, relacionada a câncer escamoso de esôfago.
  3. C) síndrome de secreção inapropriada do ADH, ocasionando hipernatremia relacionada a câncer escamoso de esôfago.
  4. D) diabetes insipidus central causado por hipocalcemia pela produção de PTH, relacionada a adenocarcinoma de esôfago.
  5. E) diabetes insipidus nefrogênico causado por hipocalcemia pela produção de PTHrp, relacionada a câncer escamoso de esôfago.

Pérola Clínica

Câncer escamoso de esôfago → PTHrp → Hipercalcemia → Diabetes Insipidus Nefrogênico (poliúria).

Resumo-Chave

A hipercalcemia da malignidade, frequentemente mediada pelo PTHrp em carcinomas escamosos, pode induzir diabetes insipidus nefrogênico. Isso ocorre porque o cálcio elevado interfere na ação do ADH nos túbulos renais, levando à poliúria e desidratação.

Contexto Educacional

A hipercalcemia da malignidade é uma das síndromes paraneoplásicas mais comuns, afetando até 30% dos pacientes com câncer. É um sinal de mau prognóstico e pode ser a primeira manifestação de uma neoplasia oculta. A compreensão de sua fisiopatologia e manejo é crucial para residentes. A principal causa da hipercalcemia da malignidade é a produção de PTHrp (peptídeo relacionado ao paratormônio) por células tumorais, especialmente em carcinomas escamosos (pulmão, esôfago, cabeça e pescoço). O PTHrp mimetiza a ação do PTH nos receptores ósseos e renais, levando à reabsorção óssea e aumento da reabsorção tubular de cálcio. A hipercalcemia severa pode induzir diabetes insipidus nefrogênico, manifestado por poliúria e polidipsia, devido à interferência na ação do ADH nos túbulos coletores renais. O tratamento da hipercalcemia da malignidade envolve hidratação vigorosa com soro fisiológico, diuréticos de alça (após hidratação adequada), bifosfonatos (como pamidronato ou ácido zoledrônico) para inibir a reabsorção óssea, e, em casos refratários, calcitonina ou denosumabe. O manejo da causa subjacente (o câncer) é fundamental para o controle a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da hipercalcemia da malignidade?

Náuseas, vômitos, constipação, fadiga, confusão mental, poliúria e polidipsia são sintomas comuns, refletindo os efeitos do cálcio elevado em múltiplos sistemas.

Como a hipercalcemia causa diabetes insipidus nefrogênico?

O cálcio sérico elevado interfere na capacidade dos túbulos renais de responder ao hormônio antidiurético (ADH), prejudicando a reabsorção de água e resultando em poliúria.

Qual a diferença entre adenocarcinoma e carcinoma escamoso de esôfago em relação às síndromes paraneoplásicas?

O carcinoma escamoso é mais frequentemente associado à produção de PTHrp e hipercalcemia, enquanto o adenocarcinoma tem outras associações, como acantose nigricans.

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