UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
Paciente com diagnóstico de câncer de laringe é conduzido ao serviço de urgência em razão de sonolência e marcada desidratação. Após ser submetido à sondagem vesical de demora, para monitorização do débito urinário, foi observada franca poliúria. Dentre os exames admissionais, notava-se cálcio total de 16 mg/dl. Considerando a hipercalcemia presente no quadro, a mais provável etiopatogenia desta e da poliúria e o tratamento inicial pertinente ao caso, são, respectivamente,
Câncer + hipercalcemia grave + poliúria = PTHrp + DI nefrogênico → Hidratação agressiva.
A hipercalcemia da malignidade, comum em cânceres de cabeça e pescoço, é frequentemente mediada pela produção de PTHrp (peptídeo relacionado ao paratormônio). Níveis elevados de cálcio podem induzir diabetes insipidus nefrogênico, causando poliúria e desidratação. O tratamento inicial e mais importante é a hidratação venosa agressiva.
A hipercalcemia é uma complicação metabólica comum em pacientes com câncer, sendo a hipercalcemia da malignidade (HHM) a causa mais frequente de hipercalcemia grave em pacientes hospitalizados. Afeta cerca de 10-20% dos pacientes com câncer e é um sinal de mau prognóstico. Sua importância clínica reside na gravidade dos sintomas e no risco de vida se não tratada prontamente. A etiopatogenia da HHM é variada, mas em cânceres sólidos como o de laringe, o mecanismo mais comum é a produção e secreção de Peptídeo Relacionado ao Paratormônio (PTHrp) pelas células tumorais. O PTHrp mimetiza as ações do PTH nos receptores ósseos e renais, levando ao aumento da reabsorção óssea e diminuição da excreção renal de cálcio. A hipercalcemia severa pode causar diabetes insipidus nefrogênico, onde os rins perdem a capacidade de responder ao ADH, resultando em poliúria, desidratação e agravamento da hipercalcemia. O tratamento inicial da hipercalcemia grave é a hidratação intravenosa agressiva com solução salina isotônica para corrigir a desidratação, aumentar a filtração glomerular e promover a calciúria. Outras terapias incluem bisfosfonatos (para inibir a reabsorção óssea), calcitonina (para efeito rápido e transitório) e, em casos refratários, diálise.
O principal mecanismo é a produção e secreção de Peptídeo Relacionado ao Paratormônio (PTHrp) pelas células tumorais, que mimetiza as ações do PTH, levando à reabsorção óssea e renal de cálcio.
A hipercalcemia severa pode induzir diabetes insipidus nefrogênico, onde os túbulos renais se tornam resistentes à ação do hormônio antidiurético (ADH), resultando em incapacidade de concentrar a urina e, consequentemente, poliúria e desidratação.
A hidratação com solução salina isotônica é crucial para restaurar o volume intravascular, aumentar a excreção renal de cálcio e diluir o cálcio sérico, sendo a primeira e mais importante medida no manejo da hipercalcemia grave.
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