Hipercalcemia e Síndrome de Lise Tumoral: Diferenças e Manejo

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Com relação à hipercalcemia, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) A síndrome de polipose resulta da lise celular acelerada, com consequente liberação de conteúdo intracelular que ocorre mais frequentemente nos pacientes após alguma forma de tratamento como a quimioterapia.
  2. B) A hipercalcemia é vista principalmente nos pacientes com mieloma múltiplo e tumores de mama, pulmão, rim, cabeça e pescoço, além de ser sinal de mal prognóstico, com elevada mortalidade em 30 dias.
  3. C) O uso de hidratação, furosemida e bisfosfonatos consegue uma normalização do cálcio em até 90% dos pacientes, já o uso de corticoides só deve ser prescrito em caso de neoplasias hematológicas.
  4. D) As medidas profiláticas que podem ser realizadas, a depender do risco de lise tumoral apresentado, são as medicações alopurinol e a rasburicase e ambas têm como mecanismo de ação a redução da hiperuricemia.

Pérola Clínica

Síndrome de lise tumoral (SLT) ≠ Síndrome de polipose. SLT é lise celular pós-quimio, liberando K, P, ácido úrico.

Resumo-Chave

A alternativa A descreve a Síndrome de Lise Tumoral (SLT), não a 'síndrome de polipose'. A SLT é uma emergência oncológica caracterizada pela rápida liberação de conteúdo intracelular (potássio, fosfato, ácido úrico) após a destruição de células tumorais, geralmente induzida por quimioterapia, e não está diretamente relacionada à hipercalcemia como causa primária.

Contexto Educacional

A hipercalcemia é uma complicação metabólica comum em pacientes com câncer, sendo a hipercalcemia da malignidade (HCM) uma das emergências oncológicas mais frequentes. Ela é vista principalmente em mieloma múltiplo e tumores sólidos como mama, pulmão, rim e cabeça e pescoço, e é um sinal de mau prognóstico. O mecanismo mais comum é a produção de peptídeo relacionado ao paratormônio (PTHrp) ou metástases ósseas. A Síndrome de Lise Tumoral (SLT), por outro lado, é uma emergência oncológica distinta. Ela resulta da lise celular acelerada, com consequente liberação de conteúdo intracelular (potássio, fosfato e ácido úrico) que ocorre mais frequentemente após o início de tratamento antineoplásico, como a quimioterapia. A SLT cursa com hiperuricemia, hipercalemia e hiperfosfatemia, podendo levar a insuficiência renal aguda, mas não é primariamente uma causa de hipercalcemia. O tratamento da hipercalcemia envolve hidratação vigorosa, diuréticos de alça (após reidratação) e bisfosfonatos, que são eficazes na maioria dos casos. Corticoides são mais úteis em neoplasias hematológicas, como o mieloma múltiplo. Para a profilaxia da SLT, alopurinol e rasburicase são usados para reduzir a hiperuricemia, prevenindo a nefropatia por urato.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre hipercalcemia da malignidade e síndrome de lise tumoral?

A hipercalcemia da malignidade é o aumento do cálcio sérico, geralmente por PTHrp ou metástases ósseas. A síndrome de lise tumoral (SLT) é a liberação maciça de conteúdo intracelular (potássio, fosfato, ácido úrico) após destruição tumoral, levando a hipercalemia, hiperfosfatemia e hiperuricemia, não primariamente hipercalcemia.

Quais são os pilares do tratamento da hipercalcemia grave?

O tratamento da hipercalcemia grave inclui hidratação vigorosa com soro fisiológico, diuréticos de alça (como furosemida, após hidratação), bisfosfonatos (como pamidronato ou ácido zoledrônico) para inibir a reabsorção óssea, e, em casos específicos, calcitonina ou corticoides.

Quando a profilaxia da síndrome de lise tumoral é indicada?

A profilaxia da SLT é indicada em pacientes com tumores de alta carga e alta taxa de proliferação (ex: linfomas de Burkitt, leucemias agudas) antes e durante a quimioterapia. As medicações utilizadas, como alopurinol e rasburicase, visam reduzir a hiperuricemia.

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