UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Em um empresário da construção civil, de 56 anos de idade foi detectada hipercalcemia de 12md/dL (VR: 8.6 – 10.3). Outros exames realizados posteriormente mostraram hipofosfatemia, PTH diminuído, níveis baixos de 1,25(OH)2 vitamina D3 e AMP cíclico urinário aumentado. O diagnóstico mais provável é:
Hipercalcemia + PTH ↓ + PTHrP ↑ (indireto) = Hipercalcemia Humoral da Malignidade (HHM).
A combinação de hipercalcemia, PTH diminuído, hipofosfatemia e AMP cíclico urinário aumentado é altamente sugestiva de hipercalcemia humoral da malignidade (HHM), causada pela produção de PTHrP (Peptídeo Relacionado ao Paratormônio) por um tumor. O PTHrP mimetiza a ação do PTH nos receptores ósseos e renais, mas não é detectado como PTH no ensaio.
A hipercalcemia é um distúrbio eletrolítico comum, e seu diagnóstico diferencial é crucial na prática clínica. Um dos cenários mais desafiadores é a hipercalcemia associada à malignidade, que pode se apresentar de diversas formas. A hipercalcemia humoral da malignidade (HHM) é a causa mais frequente de hipercalcemia em pacientes com câncer, sendo responsável por aproximadamente 80% dos casos. Ela é tipicamente causada pela produção ectópica de Peptídeo Relacionado ao Paratormônio (PTHrP) por células tumorais. Os achados laboratoriais no caso apresentado são clássicos da HHM: hipercalcemia (12 mg/dL), hipofosfatemia, PTH diminuído (suprimido pela hipercalcemia), níveis baixos de 1,25(OH)2 vitamina D3 e AMP cíclico urinário aumentado. O PTHrP age nos mesmos receptores do PTH no osso e no rim, promovendo a reabsorção óssea e o aumento da reabsorção tubular de cálcio, além de inibir a reabsorção tubular de fosfato e a produção renal de 1,25(OH)2 vitamina D3. No entanto, o PTHrP não é detectado nos ensaios de PTH intacto, o que explica o PTH baixo. Para residentes, é fundamental reconhecer esse padrão laboratorial para diferenciar a HHM de outras causas de hipercalcemia, como o hiperparatireoidismo primário (onde o PTH estaria elevado ou inapropriadamente normal) ou a intoxicação por vitamina D (onde a 1,25(OH)2 vitamina D3 estaria elevada). O manejo da HHM envolve o tratamento da neoplasia subjacente e medidas para reduzir o cálcio sérico, como hidratação vigorosa, bifosfonatos e, em casos refratários, calcitonina ou denosumabe.
A HHM é caracterizada por hipercalcemia, PTH diminuído (suprimido), hipofosfatemia e, frequentemente, níveis baixos de 1,25(OH)2 vitamina D3, com AMP cíclico urinário aumentado devido à ação do PTHrP.
O PTHrP (Peptídeo Relacionado ao Paratormônio) é uma proteína produzida por certos tumores que mimetiza a ação do PTH nos receptores ósseos e renais, levando à reabsorção óssea e reabsorção tubular de cálcio, sem ser o próprio PTH.
A principal diferença é o nível de PTH. No hiperparatireoidismo primário, o PTH é elevado ou inapropriadamente normal, enquanto na HHM o PTH é suprimido pela hipercalcemia, e o PTHrP está elevado.
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