Hipercalcemia Humoral Maligna: Diagnóstico e Tumores Associados

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Sobre a hipercalcemia humoral maligna, uma frequente síndrome paraneoplásica, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Comum nos tumores de pulmão, pele, esôfago, mama, mieloma múltiplo, linfoma, trato genitourinário e tumores de cabeça e de pescoço;
  2. B) O tratamento para esta síndrome paraneoplásica baseia-se na redução dos níveis de cálcio utilizando-se em todos os pacientes: fósforo oral, hidratação com salina, bisfosfonatos, diuréticos de alça e corticóides;
  3. C) A hipercalcemia humoral maligna só ocorre pela produção do peptídeo relacionado ao paratormônio, ao contrário da hipercalcemia pelas metástases ósseas, encontrada em tumores como pulmão, mama e próstata;
  4. D) A hipercalcemia humoral maligna pode se manifestar antes do conhecimento da condição maligna subjacente e gerar sintomas com níveis elevados (abaixo de 12 mg/dl);
  5. E) A hipercalemia humoral maligna será corrigida imediatamente com o tratamento da doença de base;

Pérola Clínica

Hipercalcemia humoral maligna (HHM) → principal causa de hipercalcemia em câncer, mediada por PTHrP, comum em tumores sólidos.

Resumo-Chave

A hipercalcemia humoral maligna é a causa mais comum de hipercalcemia em pacientes com câncer, sendo mediada principalmente pela produção de PTHrP (peptídeo relacionado ao paratormônio) por tumores sólidos. É importante reconhecer os tipos de câncer mais frequentemente associados a essa síndrome paraneoplásica.

Contexto Educacional

A hipercalcemia humoral maligna (HHM) é a síndrome paraneoplásica mais comum, afetando até 30% dos pacientes com câncer em algum momento da doença. É caracterizada por níveis elevados de cálcio sérico, geralmente na ausência de metástases ósseas extensas, e é mediada principalmente pela produção tumoral do peptídeo relacionado ao paratormônio (PTHrP). Este peptídeo mimetiza as ações do PTH no osso e no rim, resultando em aumento da reabsorção óssea e diminuição da excreção renal de cálcio. A HHM é frequentemente associada a tumores sólidos como carcinoma de células escamosas (pulmão, esôfago, cabeça e pescoço, pele), carcinoma de mama, carcinoma renal, carcinoma ovariano e, em menor grau, a alguns linfomas. Os sintomas variam de inespecíficos (fadiga, anorexia) a graves (confusão, coma, arritmias), dependendo do nível e da velocidade de elevação do cálcio. O diagnóstico envolve a dosagem de cálcio sérico (corrigido para albumina), PTH e PTHrP. O tratamento da HHM visa reduzir rapidamente os níveis de cálcio e tratar a doença de base. A hidratação intravenosa com solução salina isotônica é a medida inicial e mais importante. Bisfosfonatos (como pamidronato ou ácido zoledrônico) são a terapia de primeira linha para inibir a reabsorção óssea. Diuréticos de alça podem ser usados após a reidratação para aumentar a excreção de cálcio, mas com cautela para evitar desidratação. Calcitonina pode ter um efeito mais rápido, mas de curta duração. Corticosteroides são úteis em casos de mieloma múltiplo ou linfoma. O tratamento da doença maligna subjacente é fundamental para o controle a longo prazo da hipercalcemia.

Perguntas Frequentes

Qual o principal mecanismo da hipercalcemia humoral maligna?

O principal mecanismo da hipercalcemia humoral maligna é a produção e secreção do peptídeo relacionado ao paratormônio (PTHrP) pelos tumores, que mimetiza as ações do PTH, levando à reabsorção óssea e reabsorção tubular renal de cálcio.

Quais são os sintomas da hipercalcemia maligna?

Os sintomas da hipercalcemia maligna incluem fadiga, fraqueza, náuseas, vômitos, constipação, poliúria, polidipsia, confusão mental, letargia e, em casos graves, coma e arritmias cardíacas.

Qual a conduta inicial no tratamento da hipercalcemia humoral maligna?

A conduta inicial envolve hidratação vigorosa com solução salina isotônica para restaurar o volume intravascular e aumentar a excreção renal de cálcio, seguida pela administração de bisfosfonatos para inibir a reabsorção óssea.

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