SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2021
Paciente de 35 anos, com obesidade grau 2, apresentou câncer de mama com metástase linfonodal ressecada cirurgicamente há um ano. Foi classificada em triplo negativo e já finalizou as sessões de quimioterapia. Durante a pandemia, desenvolveu distúrbio bipolar que está sendo tratado com lítio. Também faz uso contínuo de hidroclorotiazida e, por medo da Covid-19, está realizando reposição de vitamina D por conta própria. Os exames de rotina evidenciaram cálcio = 13mg/dL (já corrigido) e PTH = 55pg/mL. O fator que pode NÃO contribuir para a hipercalcemia dessa paciente é:
Hipercalcemia com PTH elevado → investigar hiperparatireoidismo primário ou induzido por drogas (lítio, tiazídicos).
A paciente apresenta hipercalcemia com PTH elevado, o que sugere hiperparatireoidismo. Lítio e hidroclorotiazida são causas conhecidas de hipercalcemia, podendo induzir ou agravar o hiperparatireoidismo. O câncer de mama, especialmente triplo negativo, pode causar hipercalcemia por metástases ósseas ou produção de PTHrp, mas geralmente com PTH suprimido. A obesidade grau 2 não é um fator direto para hipercalcemia.
A hipercalcemia é um distúrbio eletrolítico comum, caracterizado por níveis elevados de cálcio sérico. Suas causas são variadas, sendo as mais frequentes o hiperparatireoidismo primário e a malignidade. É crucial para o residente saber identificar a etiologia correta, pois o manejo e o prognóstico são distintos. A prevalência aumenta com a idade e em pacientes com certas condições médicas ou em uso de medicamentos específicos. A fisiopatologia da hipercalcemia envolve um desequilíbrio entre a entrada e saída de cálcio do organismo. No hiperparatireoidismo primário, há uma produção excessiva de PTH, que aumenta a reabsorção óssea e renal de cálcio. Na malignidade, pode ocorrer por metástases ósseas, produção de PTHrp (peptídeo relacionado ao PTH) ou, raramente, produção ectópica de PTH. Medicamentos como lítio e tiazídicos podem alterar a homeostase do cálcio, elevando seus níveis. O tratamento da hipercalcemia depende da causa e da gravidade. Em casos leves, a hidratação e a remoção da causa subjacente podem ser suficientes. Em hipercalcemia grave, podem ser necessários bisfosfonatos, calcitonina ou diálise. É fundamental para o residente reconhecer os fatores de risco e as apresentações clínicas para um diagnóstico e manejo precoces e eficazes.
Lítio e diuréticos tiazídicos (como hidroclorotiazida) são medicamentos conhecidos por causar ou agravar a hipercalcemia, muitas vezes por afetar o metabolismo do cálcio ou a sensibilidade do receptor de cálcio.
Na hipercalcemia de malignidade, o PTH geralmente está suprimido, enquanto no hiperparatireoidismo primário, o PTH está elevado ou inadequadamente normal para o nível de cálcio.
Sim, a reposição excessiva e indiscriminada de vitamina D pode levar à intoxicação por vitamina D e, consequentemente, à hipercalcemia, especialmente em pacientes com outras comorbidades.
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