UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022
Paciente do sexo feminino, 42 anos, deu entrada no serviço de emergência com quadro de cólica renal. Antecedentes patológicos: litíase renal, depressão e hipertensão. Antecedentes familiares: hipertensão arterial sistêmica. Em uso de losartana potássica 50mg de 12 em 12 horas. Exame físico sem alterações. Exames laboratoriais: hemograma, função renal, sódio, potássio dentro da normalidade. Cálcio total 11,5mg/dL. Qual hipótese diagnóstica e exames a serem solicitados para confirmar?
Hipercalcemia + litíase renal → suspeitar hiperparatireoidismo primário; confirmar com PTH, cálcio iônico e fósforo.
A presença de hipercalcemia (cálcio total 11,5 mg/dL) em uma paciente com histórico de litíase renal é altamente sugestiva de hiperparatireoidismo primário. A investigação deve prosseguir com a dosagem de PTH, cálcio iônico e fósforo para confirmar o diagnóstico e avaliar a etiologia.
A hipercalcemia é uma alteração metabólica comum, e sua investigação é crucial, especialmente quando associada a sintomas como cólica renal e litíase. O hiperparatireoidismo primário é a causa mais frequente de hipercalcemia em pacientes ambulatoriais e é caracterizado pela secreção autônoma e excessiva de paratormônio (PTH) por uma ou mais glândulas paratireoides. A fisiopatologia envolve o aumento da reabsorção óssea, da reabsorção tubular de cálcio nos rins e da síntese de 1,25-di-hidroxivitamina D, resultando em hipercalcemia. A hipercalciúria subsequente é um fator de risco significativo para a formação de cálculos renais, explicando a associação com litíase renal recorrente. Outras manifestações incluem fadiga, depressão, osteopenia/osteoporose e, em casos graves, crise hipercalcêmica. O diagnóstico de hiperparatireoidismo primário é estabelecido pela presença de hipercalcemia persistente (cálcio total corrigido ou cálcio iônico elevado) acompanhada de níveis de PTH inapropriadamente normais ou elevados. A dosagem de fósforo sérico (geralmente baixo) e a exclusão de outras causas de hipercalcemia são importantes. O tratamento definitivo é cirúrgico (paratiroidectomia), especialmente em pacientes sintomáticos ou com critérios de indicação cirúrgica, como litíase renal, osteoporose ou hipercalcemia significativa.
As principais causas incluem hiperparatireoidismo primário (mais comum em pacientes ambulatoriais) e malignidade (mais comum em pacientes internados), além de outras como uso de tiazídicos, imobilização prolongada e intoxicação por vitamina D.
No hiperparatireoidismo primário, o excesso de PTH leva à reabsorção óssea e aumento da reabsorção tubular de cálcio, resultando em hipercalcemia e hipercalciúria, que favorecem a formação de cálculos renais.
Para confirmar, são essenciais a dosagem de PTH intacto (geralmente elevado ou inapropriadamente normal para o nível de cálcio), cálcio iônico (para confirmar a hipercalcemia verdadeira) e fósforo sérico (geralmente baixo ou normal-baixo).
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