Hipercalcemia Grave: Diagnóstico, Causas e Manejo Terapêutico

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2022

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 65 anos, tabagista de longa data, procura departamento de emergência apresentando constipação há 5 dias, além de poliúria, polidipsia, dispneia aos médios esforços e fraqueza generalizada, evoluindo nas últimas 24 horas para confusão mental. Familiares referem perda ponderal de 6 kg nos últimos 60 dias. Faz uso de hidroclorotiazida e enalapril para HAS. PA: 140 x90 mmHg, FC 110bpm, FR 24ipm, SatO293%. Creatinina 0,9 (VR: 0,6 — 1,2); ureia 43 (VR: 16 — 40), glicose 156 (VR: 70 — 100), potássio 4,9 (VR: 3,5 — 5,0), sódio 135 (VR: 135 — 145), cálcio total 16,4 (VR: 8,5 — 10,5). Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A hipercalcemia associada à doença granulomatosa (p. ex., sarcoidose) ou aos linfomas está relacionada síntese excessiva de PTH
  2. B) O nitrato de gálio é preferível aos bisfosfonatos no tratamento da hipercalcemia da malignidade em pacientes com risco de nefropatia
  3. C) Nos pacientes com hipercalcemia mediada pela 1,25(OH)2D, os glicocorticoides constituem o tratamento preferido
  4. D) A hipercalcemia pode resultar em alterações eletrocardiográficas significativas, inclusive taquicardia, fibrilação atrial e intervalo QT longo

Pérola Clínica

Hipercalcemia grave (>14 mg/dL) → hidratação vigorosa + bisfosfonatos.

Resumo-Chave

A hipercalcemia grave é uma emergência médica que requer tratamento imediato, geralmente com hidratação intravenosa e bisfosfonatos. Glicocorticoides são a terapia preferida para hipercalcemia mediada por 1,25(OH)2D, como em doenças granulomatosas (sarcoidose) ou linfomas, pois suprimem a produção excessiva dessa vitamina D ativa.

Contexto Educacional

A hipercalcemia é um distúrbio eletrolítico comum, com o cálcio sérico total acima de 10,5 mg/dL. A hipercalcemia grave, definida por níveis acima de 14 mg/dL, é uma emergência médica que pode levar a sintomas neurológicos (confusão, letargia), renais (poliúria, polidipsia, nefrocalcinose), gastrointestinais (constipação, náuseas) e cardiovasculares. As principais causas são hiperparatireoidismo primário e malignidades, sendo esta última a causa mais comum de hipercalcemia grave. A fisiopatologia da hipercalcemia varia conforme a etiologia. Na malignidade, pode ser mediada por PTHrP (peptídeo relacionado ao PTH), metástases ósseas diretas, ou, menos comumente, por produção ectópica de 1,25(OH)2D. Em doenças granulomatosas como a sarcoidose, macrófagos ativados produzem 1-alfa-hidroxilase, convertendo 25(OH)D em 1,25(OH)2D, levando ao aumento da absorção intestinal de cálcio. O diagnóstico envolve a dosagem de cálcio total e iônico, PTH, 25(OH)D e 1,25(OH)2D para identificar a causa subjacente. O tratamento da hipercalcemia grave visa reduzir rapidamente os níveis de cálcio e tratar a causa subjacente. A hidratação intravenosa com soro fisiológico é a primeira medida, seguida por bisfosfonatos (ex: pamidronato, ácido zoledrônico) para inibir a reabsorção óssea. Calcitonina pode ser usada para um efeito mais rápido, mas de curta duração. Em casos de hipercalcemia mediada por 1,25(OH)2D, como em sarcoidose ou linfomas, os glicocorticoides (ex: prednisona) são o tratamento de escolha, pois suprimem a produção excessiva de vitamina D ativa.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de hipercalcemia grave?

As principais causas são hiperparatireoidismo primário, malignidades (com ou sem metástases ósseas, ou por PTHrP), doenças granulomatosas (sarcoidose), intoxicação por vitamina D e uso de diuréticos tiazídicos.

Qual é o tratamento inicial para uma hipercalcemia grave?

O tratamento inicial consiste em hidratação vigorosa com solução salina isotônica para restaurar o volume intravascular e aumentar a excreção renal de cálcio, seguido por bisfosfonatos intravenosos para inibir a reabsorção óssea.

Quando os glicocorticoides são indicados no tratamento da hipercalcemia?

Glicocorticoides são preferidos na hipercalcemia mediada por excesso de 1,25(OH)2D, como em doenças granulomatosas (sarcoidose, tuberculose) e alguns linfomas, pois inibem a produção extra-renal dessa vitamina D ativa.

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