Hipercalcemia no Mieloma Múltiplo: Diagnóstico e Manejo

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente com mieloma múltiplo recém diagnosticado, mas ainda virgem de tratamento, dá entrada no  pronto-socorro com o seguinte quadro: rebaixamento do nível de consciência, desidratação, distensão abdominal e redução dos ruídos hidroaéreos e insuficiência renalaguda. Familiar relata que o quadro teve evolução progressiva nos últimos dias, sendo que, no início, o paciente estava apresentando diurese muito abundante, que posteriormente se reduziu, associado ao agravamento dos outros sintomas. Qual é a provável etiologia do quadro?

Alternativas

  1. A) Síndrome de lise tumoral.
  2. B) Metástase para o sistema nervoso central.
  3. C) Hipercalcemia.
  4. D) Síndrome de hiperviscosidade.

Pérola Clínica

Mieloma Múltiplo + rebaixamento, desidratação, IRA, distensão abdominal, poliúria → Hipercalcemia.

Resumo-Chave

A hipercalcemia é uma emergência oncológica comum em pacientes com mieloma múltiplo, resultante da reabsorção óssea aumentada. Seus sintomas clássicos incluem alterações neurológicas (rebaixamento do nível de consciência), gastrointestinais (náuseas, vômitos, constipação, íleo paralítico), renais (poliúria, desidratação, insuficiência renal aguda) e cardiovasculares. A rápida identificação e tratamento são cruciais para evitar complicações graves.

Contexto Educacional

O mieloma múltiplo é uma neoplasia de células plasmáticas que se caracteriza pela proliferação clonal de plasmócitos na medula óssea, produção de proteína monoclonal e disfunção de órgãos-alvo. As complicações incluem lesões ósseas, insuficiência renal, anemia e hipercalcemia, sendo esta última uma das emergências oncológicas mais frequentes e potencialmente fatais. A hipercalcemia no mieloma múltiplo resulta da atividade osteoclástica exacerbada, levando à liberação excessiva de cálcio dos ossos. Os sintomas são variados e podem ser inespecíficos, o que exige alta suspeição clínica. A tríade clássica de 'stones, bones, abdominal groans, and psychiatric overtones' (cálculos renais, dor óssea, sintomas gastrointestinais e alterações neurológicas) é um bom mnemônico para lembrar os principais sinais. O manejo da hipercalcemia é uma prioridade, começando com hidratação intravenosa agressiva para restaurar o volume e aumentar a excreção renal de cálcio. Bifosfonatos são a pedra angular do tratamento a longo prazo, inibindo a reabsorção óssea. Corticosteroides e calcitonina podem ser usados em situações específicas. A identificação precoce e o tratamento eficaz são cruciais para prevenir danos orgânicos irreversíveis e melhorar o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da hipercalcemia grave?

A hipercalcemia grave pode causar rebaixamento do nível de consciência, letargia, confusão, náuseas, vômitos, constipação, dor abdominal, poliúria, polidipsia, desidratação e insuficiência renal aguda. Em casos extremos, pode levar ao coma e arritmias cardíacas.

Por que a hipercalcemia é comum em pacientes com mieloma múltiplo?

No mieloma múltiplo, as células plasmáticas malignas produzem citocinas que estimulam os osteoclastos, levando à reabsorção óssea aumentada e liberação de cálcio para a corrente sanguínea, resultando em hipercalcemia.

Qual a conduta inicial para o tratamento da hipercalcemia grave?

O tratamento inicial da hipercalcemia grave inclui hidratação vigorosa com solução salina isotônica para promover a diurese e a excreção de cálcio, seguida pela administração de bifosfonatos para inibir a reabsorção óssea. Em casos muito graves, pode-se considerar calcitonina ou diálise.

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