INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um recém-nascido a termo recebeu alta com orientações gerais, mas retornou para avaliação após 72 horas. A mãe relata que, embora ele estivesse bem, estava preocupada, pois achava que o “amarelão” estava ficando cada vez mais acentuado. Na avaliação médica, observou-se icterícia (3+/4+), Zona 4 de Kramer. A criança foi internada e foram solicitados exames laboratoriais. A bilirrubina total era de 25,6 mg/dL às custas da fração de bilirrubina indireta. Não havia histórico de incompatibilidade ABO ou Rh.Considerando o caso clínico, assinale a opção que apresenta, corretamente, a causa de hiperbilirrubinemia indireta neonatal associada à sua fisiopatologia, a avaliação complementar de diagnóstico e a conduta imediata, respectivamente.
Icterícia neonatal grave (BT > 25 mg/dL) → Avaliar causas hemolíticas (ex: alfatalassemia) e iniciar fototerapia intensiva.
A hiperbilirrubinemia indireta neonatal grave, especialmente com níveis acima de 25 mg/dL, exige investigação rápida de causas hemolíticas e intervenção imediata para prevenir kernicterus. A fototerapia é a primeira linha, mas a exsanguineotransfusão deve ser considerada em casos refratários ou de alto risco.
A hiperbilirrubinemia indireta neonatal é uma condição comum, mas que exige atenção para diferenciar causas fisiológicas de patológicas. A icterícia que se manifesta nas primeiras 24 horas de vida, que progride rapidamente ou atinge níveis muito elevados, deve sempre ser investigada. Causas hemolíticas, como a doença hemolítica por incompatibilidade ABO/Rh ou hemoglobinopatias como a alfatalassemia, são importantes etiologias a serem consideradas. A fisiopatologia da icterícia hemolítica envolve a destruição acelerada de eritrócitos, liberando grande quantidade de hemoglobina que é convertida em bilirrubina indireta. O fígado neonatal, ainda imaturo, tem capacidade limitada de conjugar e excretar essa bilirrubina, levando ao acúmulo. A avaliação complementar inclui hemograma completo, tipagem sanguínea materno-fetal, Coombs direto, reticulócitos e, em casos específicos, eletroforese de hemoglobina ou triagem neonatal para hemoglobinopatias (teste do pezinho). A conduta imediata para hiperbilirrubinemia indireta significativa é a fototerapia intensiva, que converte a bilirrubina em produtos hidrossolúveis excretáveis. Em casos de falha da fototerapia ou níveis muito elevados com risco iminente de kernicterus, a exsanguineotransfusão pode ser necessária. O prognóstico depende da rapidez e eficácia do tratamento para prevenir danos neurológicos permanentes.
Os sinais de alerta incluem icterícia que progride rapidamente, atinge zonas mais distais (Zona 4 ou 5 de Kramer), níveis de bilirrubina total muito elevados (> 20-25 mg/dL) ou presença de outros sintomas como letargia, irritabilidade ou dificuldade de alimentação.
A fototerapia é indicada com base nos níveis de bilirrubina total, idade gestacional, idade pós-natal e presença de fatores de risco para neurotoxicidade. Existem tabelas e nomogramas específicos para guiar essa decisão, visando evitar a necessidade de exsanguineotransfusão.
O teste do pezinho é uma triagem neonatal que pode identificar hemoglobinopatias, como a alfatalassemia, que são causas de doença hemolítica e, consequentemente, de hiperbilirrubinemia indireta. Embora não seja um diagnóstico agudo, é uma avaliação complementar importante no contexto de icterícia prolongada ou de causa desconhecida.
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