UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020
Mulher de 23 anos procura o ginecologista por causa de hirsutismo, surgido na adolescência. Teve menarca aos 14 anos, com menstruações posteriores sempre irregulares. No momento, está há 5 meses sem menstruar. Não deve ser o diagnóstico da paciente:
Hirsutismo + Irregularidade menstrual → Pensar em Hiperandrogenismo, NÃO em Endometriose.
A endometriose causa dor e infertilidade, não hirsutismo. Hirsutismo com amenorreia sugere SOP, HAC ou tumores produtores de androgênios.
O hirsutismo é definido como o crescimento de pelos terminais em áreas dependentes de androgênios na mulher (escala de Ferriman-Gallwey). A causa mais comum é a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), mas o diagnóstico requer a exclusão de outras patologias. A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) na sua forma não clássica mimetiza a SOP perfeitamente, sendo um diagnóstico diferencial obrigatório. Tumores produtores de androgênios (ovário ou adrenal) devem ser suspeitados em quadros de instalação abrupta ou virilização franca. A endometriose, embora prevalente na idade reprodutiva, apresenta fisiopatologia distinta e não cursa com hiperandrogenismo, focando-se em sintomas álgicos e infertilidade.
A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, sendo uma doença dependente de estrogênio e de caráter inflamatório. Seus principais sintomas são dismenorreia, dispareunia e dor pélvica crônica. Ela não envolve a produção excessiva de androgênios pelas adrenais ou ovários; portanto, não pode causar manifestações cutâneas como hirsutismo, acne ou alopecia androgenética.
Sinais de virilização rápida (em poucos meses), níveis de testosterona total muito elevados (> 200 ng/dL) ou de DHEA-S (> 700 mcg/dL), e início tardio ou súbito de hirsutismo grave sugerem neoplasias ovarianas ou suprarrenais. Diferente da SOP, que costuma ter início peripuberal e progressão lenta ao longo dos anos.
Ambas apresentam hirsutismo e irregularidade menstrual. A diferenciação é feita pela dosagem da 17-OH-progesterona basal (coletada preferencialmente na fase folicular precoce). Valores acima de 200 ng/dL sugerem Hiperplasia Adrenal Congênita não clássica, necessitando de teste de estímulo com ACTH para confirmação diagnóstica se o valor for limítrofe.
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