HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 22 anos, com ciclos menstruais regulares a cada 28 dias e queixa de acne importante há 6 meses, foi encaminhada ao serviço de ginecologia para avaliação. Sua mãe trata diabetes mellitus tipo 2. A paciente adota preservativo masculino como método anticoncepcional, tendo utilizado pílula combinada oral por 3 anos antes de cessar o uso há 8 meses. Ao exame físico, ela apresenta escore de Ferriman-Gallwey de 10, acantose nigricans em axilas e IMC de 24,2. O exame ginecológico é normal. Visando ao adequado diagnóstico, qual é a conduta inicial mais apropriada?
Acne + hirsutismo (Ferriman-Gallwey >8) + acantose nigricans → Investigar hiperandrogenismo (SOP, outras causas).
A paciente apresenta sinais clínicos de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo com Ferriman-Gallwey 10, acantose nigricans indicando resistência à insulina). Embora os ciclos regulares possam sugerir o contrário, a SOP é uma forte suspeita. É crucial realizar ultrassonografia pélvica para avaliar morfologia ovariana e exames laboratoriais (testosterona total e livre, SHBG, DHEA-S, 17-OH progesterona) para confirmar o hiperandrogenismo e excluir outras causas, como tumores virilizantes ou hiperplasia adrenal congênita de início tardio.
O hiperandrogenismo em mulheres é uma condição clínica caracterizada por excesso de andrógenos, manifestando-se com sinais como hirsutismo (crescimento excessivo de pelos em áreas andrógeno-dependentes), acne, alopecia androgênica e irregularidades menstruais. A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é a causa mais comum, afetando uma parcela significativa de mulheres em idade reprodutiva e sendo uma das principais causas de infertilidade anovulatória. A paciente do caso apresenta múltiplos sinais sugestivos de hiperandrogenismo e resistência à insulina: acne importante, escore de Ferriman-Gallwey de 10 (indicando hirsutismo), e acantose nigricans. Embora seus ciclos menstruais sejam regulares, a SOP pode se manifestar de diversas formas. A história familiar de diabetes tipo 2 também reforça a suspeita de resistência à insulina. A conduta inicial mais apropriada é a investigação diagnóstica completa. Isso inclui a ultrassonografia pélvica para avaliar a morfologia ovariana (critério de ovários policísticos) e exames laboratoriais para confirmar o hiperandrogenismo (testosterona total e livre, SHBG) e excluir outras causas menos comuns, mas importantes, como tumores virilizantes (DHEA-S, testosterona muito elevada) ou hiperplasia adrenal congênita de início tardio (17-OH progesterona). Somente após um diagnóstico preciso é que o tratamento adequado pode ser instituído, que pode incluir pílulas anticoncepcionais combinadas, metformina e/ou antiandrogênios.
Os critérios de Rotterdam (2 de 3): oligo/anovulação, hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne) ou laboratorial, e ovários policísticos à ultrassonografia. Outras causas de hiperandrogenismo devem ser excluídas.
A acantose nigricans é um marcador cutâneo de resistência à insulina, uma condição frequentemente associada à SOP. Sua presença reforça a suspeita de um distúrbio metabólico subjacente ao hiperandrogenismo.
Exames essenciais incluem testosterona total e livre, SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais), DHEA-S (sulfato de deidroepiandrosterona) e 17-OH progesterona (para excluir hiperplasia adrenal congênita de início tardio).
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