Hiperandrogenismo em Adolescentes: Diagnóstico com Testosterona Livre

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2024

Enunciado

Adolescente de 16 anos comparece à consulta com queixa de acne grave e crescimento recente de pelos no queixo, exigindo depilação quinzenalmente. Sua menarca fora aos 12 anos de idade. Em questionamento adicional, ela relata ter 4-6 menstruações por ano.Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o exame mais adequado para confirmar seu diagnóstico.

Alternativas

  1. A) Ressonância magnética tridimensional dos ovários.
  2. B) Ultrassom pélvico transvaginal.
  3. C) Avaliação do histórico familiar de menstruação anormal.
  4. D) Dosagem de testosterona livre sérica.
  5. E) Dosagem de 17-hidroxiprogesterona sérica.

Pérola Clínica

Hirsutismo + oligomenorreia + acne → investigar hiperandrogenismo com testosterona livre.

Resumo-Chave

A tríade de hirsutismo, acne grave e oligomenorreia em uma adolescente sugere fortemente hiperandrogenismo, sendo a dosagem de testosterona livre sérica o exame mais adequado para confirmar o excesso de andrógenos, um critério diagnóstico chave para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

Contexto Educacional

A adolescente apresenta um quadro clínico clássico de hiperandrogenismo, caracterizado por hirsutismo (crescimento excessivo de pelos em áreas andrógeno-dependentes), acne grave e oligomenorreia (menstruações infrequentes). Essa tríade é altamente sugestiva de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva. O diagnóstico de hiperandrogenismo é fundamental para a investigação da SOP. A dosagem de testosterona livre sérica é o exame laboratorial mais sensível e específico para confirmar o excesso de andrógenos circulantes, pois reflete a fração biologicamente ativa do hormônio. Outros exames, como a 17-hidroxiprogesterona, são úteis para excluir hiperplasia adrenal congênita não clássica, um importante diagnóstico diferencial. Embora o ultrassom pélvico possa mostrar ovários policísticos, este achado é comum em adolescentes sem SOP e não é um critério diagnóstico primário nessa faixa etária. A avaliação do histórico familiar é importante, mas não substitui a confirmação bioquímica. O manejo da SOP envolve o tratamento dos sintomas e a prevenção de complicações metabólicas e cardiovasculares a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) em adolescentes?

Os critérios de Rotterdam adaptados para adolescentes incluem hiperandrogenismo clínico (hirsutismo, acne grave) ou bioquímico (testosterona elevada) e disfunção menstrual (oligomenorreia ou amenorreia), após exclusão de outras causas. O ultrassom de ovários policísticos é menos confiável em adolescentes.

Por que a dosagem de testosterona livre é preferível à testosterona total?

A testosterona livre é a fração biologicamente ativa do hormônio e reflete melhor o estado androgênico do paciente, pois a testosterona total pode ser influenciada por variações na globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG).

Quais outras condições podem causar hirsutismo e oligomenorreia?

Outras causas incluem hiperplasia adrenal congênita não clássica, tumores produtores de andrógenos (ovário ou adrenal), síndrome de Cushing, hipotireoidismo e hiperprolactinemia. É importante excluir essas condições no diagnóstico diferencial.

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