HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2021
Paciente 26 anos, sexo feminino vem ao pronto atendimento com queixa de mal estar, histórico de nictúria recorrente há mais de 3 meses e que percebeu alteração domiciliar da pressão arterial. Nega histórico de doenças prévias. Nega uso de medicações ou substâncias ilícitas. Ao exame físico PA 140/90 mmHg em ambos MMSS. Sem outros achados de exame físico. Considerando o diagnóstico sindrômico descrito e os dados do contexto, a causa etiológica mais provável seria:
Hipertensão + Hipocalemia (Nictúria/Poliúria) em jovem → Suspeitar de Hiperaldosteronismo Primário.
O hiperaldosteronismo primário causa retenção de sódio e perda renal de potássio; a hipocalemia resultante gera um defeito na concentração urinária (diabetes insipidus nefrogênico), manifestando-se como nictúria.
O hiperaldosteronismo primário (HAP) é atualmente considerado a causa mais comum de hipertensão arterial secundária, presente em até 10% dos hipertensos gerais e 20% dos hipertensos resistentes. O quadro clínico clássico envolve hipertensão de difícil controle associada à hipocalemia, embora muitos pacientes possam ser normocalêmicos no início do quadro. A nictúria mencionada no caso clínico é um 'red flag' importante para hipocalemia crônica. O diagnóstico precoce é crucial, pois o HAP está associado a um risco cardiovascular e renal significativamente maior do que a hipertensão essencial, devido aos efeitos pró-fibróticos e inflamatórios diretos da aldosterona nos tecidos-alvo.
O rastreio inicial é realizado através da medida da Relação Aldosterona/Atividade de Renina Plasmática (ARR). Um valor elevado (geralmente > 30, dependendo do laboratório) sugere a patologia. É fundamental que o paciente esteja com o potássio corrigido e, se possível, tenha suspendido medicamentos que interferem no eixo renina-angiotensina-aldosterona, como espironolactona e betabloqueadores, antes da coleta.
O excesso crônico de aldosterona promove a excreção renal excessiva de potássio. A hipocalemia resultante induz uma resistência tubular à ação do hormônio antidiurético (ADH), caracterizando um quadro de diabetes insipidus nefrogênico. Isso impede a concentração adequada da urina, levando à poliúria e, consequentemente, à nictúria.
As duas causas principais são a hiperplasia adrenal bilateral idiopática (cerca de 60-70% dos casos) e o adenoma adrenal unilateral produtor de aldosterona, também conhecido como Síndrome de Conn (cerca de 30-40% dos casos). Causas raras incluem o carcinoma adrenal e formas familiares genéticas.
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