Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022
Paciente de 21 anos de idade queixando-se de cefaleia, ao consultar-se foi diagnosticado com pressão arterial de 170 x 105 mmHg. Na investigação laboratorial tem função renal normal, com sódio sérico de 146 mEq/L e potássio de 2,3 mEq/L. Submeteu-se a tomografia de abdome abaixo que evidenciou na topografia destacada pela seta uma lesão 3 centímetros, com densidade sugestiva de gordura. A principal hipótese diagnóstica é:
Hipertensão + hipocalemia + massa adrenal com gordura → Hiperaldosteronismo primário (Adenoma de adrenal).
A presença de hipertensão arterial em um paciente jovem, associada a hipocalemia (potássio baixo) e a uma massa adrenal com densidade sugestiva de gordura na tomografia, é altamente indicativa de hiperaldosteronismo primário, mais comumente causado por um adenoma adrenal produtor de aldosterona (aldosteronoma ou Síndrome de Conn). A hipocalemia ocorre devido à ação da aldosterona no túbulo renal, promovendo a excreção de potássio.
O hiperaldosteronismo primário é uma causa comum de hipertensão secundária, caracterizado pela produção excessiva e autônoma de aldosterona pelas glândulas adrenais. É uma condição importante a ser reconhecida, especialmente em pacientes jovens com hipertensão ou naqueles com hipertensão resistente ao tratamento, devido ao seu impacto cardiovascular e renal a longo prazo. A prevalência é subestimada, tornando-o um tópico relevante para a formação médica. A fisiopatologia envolve a secreção excessiva de aldosterona, que leva à retenção de sódio e água, resultando em hipertensão, e à excreção aumentada de potássio, causando hipocalemia. O diagnóstico é suspeitado pela combinação de hipertensão e hipocalemia, e confirmado pela relação aldosterona/atividade de renina plasmática elevada. A investigação etiológica inclui exames de imagem, como a tomografia de abdome, para identificar adenomas adrenais (aldosteronomas), que frequentemente apresentam densidade de gordura. O tratamento depende da causa subjacente. Para adenomas adrenais, a adrenalectomia unilateral é curativa em muitos casos. Para hiperplasia adrenal bilateral, o tratamento é geralmente clínico, com antagonistas do receptor de mineralocorticoide, como a espironolactona. A identificação e o tratamento precoces são essenciais para prevenir complicações cardiovasculares e renais associadas à hipertensão e hipocalemia crônicas.
Os principais sinais são hipertensão arterial (frequentemente resistente ao tratamento) e hipocalemia. Sintomas podem incluir fraqueza muscular, fadiga, poliúria, nictúria e cefaleia, embora muitos pacientes sejam assintomáticos além da hipertensão.
A aldosterona em excesso atua nos túbulos renais, aumentando a reabsorção de sódio e água e, em contrapartida, promovendo a excreção de potássio e íons hidrogênio, levando à hipocalemia e, por vezes, à alcalose metabólica.
A tomografia de abdome é crucial para localizar e caracterizar massas adrenais. A densidade de gordura (baixa atenuação) é um achado comum em adenomas adrenais, ajudando a diferenciá-los de outras lesões, como carcinomas ou feocromocitomas.
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