SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Homem, 37 anos de idade, etnia caucasiana, apresenta hipertensão arterial resistente. Em pesquisa para causa secundária, encontra-se: creatinina sérica: 0,9 mg/dL; sódio: 147 mEq/L; potássio: 3,3 mEq/L; cortisol sérico 20% acima do limite superior da normalidade; ACTH reduzido; aldosterona plasmática elevada e atividade de renina plasmática reduzida. Após teste de infusão de solução salina, a aldosterona plasmática mantém-se elevada. Metanefrinas plasmáticas discretamente elevadas, com redução para níveis normais após clonidina. Assinale a alternativa com a interpretação correta desses achados:
Hipertensão + Hipocalemia + Aldosterona ↑ + Renina ↓ = Hiperaldosteronismo Primário.
O diagnóstico de hiperaldosteronismo primário é sugerido pela relação aldosterona/renina elevada e confirmado pela falta de supressão da aldosterona após sobrecarga salina.
O hiperaldosteronismo primário é uma das causas mais comuns de hipertensão arterial secundária, frequentemente subdiagnosticada. O quadro clássico envolve hipertensão resistente, hipocalemia e alcalose metabólica. Laboratorialmente, a marca registrada é a supressão da atividade de renina plasmática devido ao feedback negativo causado pelo excesso de aldosterona, que é secretada de forma autônoma pela adrenal. O teste de infusão salina é um teste confirmatório essencial: em indivíduos normais, a expansão de volume deveria suprimir a aldosterona; no hiperaldosteronismo primário, os níveis permanecem elevados. A diferenciação com feocromocitoma e síndrome de Cushing é feita pela ausência de sinais clínicos específicos e pela normalização de metanefrinas após testes dinâmicos (como o uso de clonidina, que diferencia elevações simpáticas de tumores secretores).
O rastreio inicial é realizado através da medida simultânea da concentração de aldosterona plasmática (CAP) e da atividade de renina plasmática (ARP). Uma relação CAP/ARP elevada (geralmente > 30) em um paciente com hipertensão resistente ou hipocalemia é altamente sugestiva da patologia.
Após um rastreio positivo, o diagnóstico deve ser confirmado por testes de supressão. O teste de infusão de solução salina (2 litros de soro fisiológico em 4 horas) é comum: se a aldosterona permanecer acima de 5-10 ng/dL após a carga de sódio, o diagnóstico de secreção autônoma (primária) é confirmado.
No caso clínico, o cortisol está apenas discretamente elevado (20% acima do limite), o que pode ocorrer por estresse. O quadro de hipertensão resistente, hipocalemia, renina suprimida e aldosterona que não suprime com salina é patognomônico de hiperaldosteronismo, sobrepondo-se a qualquer achado inespecífico de cortisol.
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