Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2021
A neoplasia associada a quadros hipertensivos arteriais em pacientes jovens, refratários ou de difícil tratamento, que podem ocorrer com quadros associados de hipocalemia é:
Hipertensão refratária + hipocalemia → Suspeitar de hiperaldosteronismo primário (adenoma adrenal).
Hipertensão arterial em pacientes jovens ou de difícil controle, especialmente quando associada à hipocalemia, deve levantar a suspeita de hiperaldosteronismo primário. A causa mais comum é o adenoma de adrenal produtor de aldosterona (aldosteronoma), que é curável com cirurgia.
O hiperaldosteronismo primário é uma causa comum de hipertensão arterial secundária, caracterizado pela produção excessiva e autônoma de aldosterona pelas glândulas adrenais, independente do sistema renina-angiotensina. É uma condição subdiagnosticada, mas sua prevalência é significativa em pacientes com hipertensão refratária, podendo atingir até 10-20% desses casos. A identificação é crucial, pois é uma forma de hipertensão potencialmente curável. A fisiopatologia envolve a secreção excessiva de aldosterona, que leva à reabsorção de sódio e excreção de potássio e hidrogênio nos túbulos renais, resultando em expansão do volume intravascular, hipertensão e hipocalemia metabólica. A causa mais comum é o adenoma adrenal unilateral (aldosteronoma), responsável por cerca de 30-40% dos casos, seguido pela hiperplasia adrenal bilateral. A suspeita diagnóstica deve ser levantada em pacientes jovens com hipertensão, hipertensão refratária, hipocalemia inexplicada ou incidentaloma adrenal. O tratamento do hiperaldosteronismo primário depende da etiologia. Para adenomas unilaterais, a adrenalectomia laparoscópica é curativa na maioria dos casos, normalizando a pressão arterial e os níveis de potássio. Em pacientes com hiperplasia adrenal bilateral ou naqueles que não podem ser submetidos à cirurgia, o tratamento clínico com antagonistas do receptor de mineralocorticoide, como espironolactona ou eplerenona, é a abordagem de escolha para controlar a pressão arterial e corrigir a hipocalemia.
A suspeita deve surgir em pacientes com hipertensão arterial e hipocalemia espontânea ou induzida por diuréticos, hipertensão resistente a três ou mais fármacos, hipertensão em idade jovem (<40 anos), ou incidentaloma adrenal.
O diagnóstico é feito inicialmente pela triagem com a relação aldosterona plasmática/atividade de renina plasmática (ARP). Se elevada, testes confirmatórios (ex: sobrecarga salina) são realizados, seguidos por exames de imagem (TC/RM de adrenais) e, idealmente, cateterismo de veias adrenais para lateralização.
O tratamento de escolha para o adenoma de adrenal unilateral é a adrenalectomia laparoscópica, que frequentemente resulta na cura da hipertensão e da hipocalemia. Para pacientes inoperáveis ou com hiperplasia adrenal bilateral, o tratamento é clínico com antagonistas do receptor de mineralocorticoide.
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