Hiperaldosteronismo Primário: Diagnóstico e Manejo

UFAL/HUPAA - Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (AL) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 26 anos procura pronto-socorro queixando se de forte mialgia e câimbras constantes que pioraram há 1 semana. Nega febre. Nega trauma. Vem apresentando crises hipertensivas recorrentes, já em uso de losartana 100mg/dia, anlodipino 10mg/dia e bisoprolol 5mg/dia, sem melhora. Após coleta de rotina laboratorial em pronto-socorro foi internada por hipocalemia. Submeteu-se à tomografia de abdome abaixo. O provável diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Leptospirose.
  2. B) Paraganglioma.
  3. C) Adenoma adrenal.
  4. D) Hipoaldosteronismo - NEM 1.

Pérola Clínica

Hipertensão refratária + hipocalemia + massa adrenal em TC = Hiperaldosteronismo Primário (adenoma adrenal).

Resumo-Chave

A combinação de hipertensão refratária a múltiplos anti-hipertensivos, hipocalemia e a presença de uma massa adrenal na tomografia de abdome é altamente sugestiva de hiperaldosteronismo primário, sendo o adenoma adrenal (Síndrome de Conn) a causa mais comum.

Contexto Educacional

O hiperaldosteronismo primário é uma causa comum de hipertensão secundária, muitas vezes subdiagnosticada, e é crucial para o residente reconhecer seus sinais. Caracteriza-se pela produção autônoma excessiva de aldosterona pelas glândulas adrenais, levando à retenção de sódio, perda de potássio e, consequentemente, hipertensão arterial e hipocalemia. A apresentação clínica típica, como no caso, envolve hipertensão refratária a múltiplos anti-hipertensivos e sintomas de hipocalemia, como mialgia e cãibras. A hipocalemia é um achado chave que deve levantar a suspeita. A investigação diagnóstica inclui a dosagem da relação aldosterona plasmática/atividade de renina plasmática (ARP), que estará elevada. Após a confirmação bioquímica, a tomografia de abdome é essencial para localizar a fonte da produção excessiva de aldosterona, sendo o adenoma adrenal (Síndrome de Conn) a causa mais comum, seguido pela hiperplasia adrenal bilateral. O tratamento do adenoma adrenal é cirúrgico (adrenalectomia), enquanto a hiperplasia bilateral é geralmente manejada clinicamente com antagonistas do receptor de mineralocorticoide, como a espironolactona. O diagnóstico e tratamento precoces são importantes para prevenir complicações cardiovasculares e renais associadas à hipertensão e hipocalemia crônicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos do hiperaldosteronismo primário?

Os sinais e sintomas incluem hipertensão arterial, frequentemente refratária, e manifestações de hipocalemia como fraqueza muscular, mialgias, cãibras e, em casos graves, paralisia.

Qual o papel da tomografia de abdome no diagnóstico de hiperaldosteronismo primário?

A tomografia de abdome é utilizada para identificar a presença de adenomas adrenais ou hiperplasia adrenal bilateral, que são as principais causas morfológicas do hiperaldosteronismo primário.

Como diferenciar hiperaldosteronismo primário de outras causas de hipertensão secundária?

A diferenciação envolve a dosagem de aldosterona plasmática e atividade de renina plasmática (ARP), com uma relação aldosterona/ARP elevada sendo sugestiva de hiperaldosteronismo primário.

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