UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Mulher, 42a, em tratamento de hipertensão arterial sistêmica, de difícil controle, em uso de enalapril 40 mg/dia, nifedipina 40 mg/dia e hidroclorotiazida 12,5 mg/dia. Antecedente pessoal: acromegalia em tratamento com cabergolina. Exame físico: IMC = 28 kg/m² , PA= 160x110 mmHg. Glicemia de jejum= 101 mg/dL; colesterol total= 190 mg/dL; triglicerídeos= 152 mg/dL; creatinina= 0,9 mg/dL; sódio= 133 mEql/L, potássio= 2,6 mEq/L. DEVE-SE INVESTIGAR:
Hipertensão resistente + hipocalemia → Investigar hiperaldosteronismo primário.
A presença de hipertensão resistente (PA elevada apesar de 3 anti-hipertensivos, incluindo um diurético) associada à hipocalemia (potássio baixo) é um forte indicativo de hiperaldosteronismo primário, uma causa comum de hipertensão secundária que deve ser investigada.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição prevalente, mas em alguns casos, ela se torna resistente ao tratamento convencional, exigindo uma investigação aprofundada para causas secundárias. A hipertensão resistente é definida pela falha em atingir a meta pressórica com o uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses máximas toleradas. A presença de hipocalemia (potássio sérico baixo) nesse cenário é um sinal de alerta crucial. No caso clínico apresentado, a paciente tem hipertensão resistente (160x110 mmHg em uso de enalapril, nifedipina e hidroclorotiazida) e hipocalemia (potássio = 2,6 mEq/L). Essa combinação é altamente sugestiva de hiperaldosteronismo primário, uma condição em que as glândulas adrenais produzem aldosterona em excesso, levando à retenção de sódio, perda de potássio e aumento da pressão arterial. A investigação do hiperaldosteronismo primário é fundamental, pois é uma causa tratável de hipertensão secundária. O rastreio inicial envolve a dosagem da relação aldosterona plasmática/atividade de renina plasmática (ARP). Um diagnóstico e tratamento adequados podem normalizar a pressão arterial, corrigir a hipocalemia e prevenir complicações cardiovasculares e renais associadas à hipertensão de longa data. Residentes devem estar atentos a esses sinais para não perder o diagnóstico.
Hipertensão resistente é definida como pressão arterial que permanece acima da meta (geralmente > 140/90 mmHg ou > 130/80 mmHg em pacientes de alto risco) apesar do uso de três ou mais anti-hipertensivos de classes diferentes, incluindo um diurético, em doses otimizadas.
A hipocalemia (potássio sérico < 3,5 mEq/L) em um paciente hipertenso, especialmente se não estiver em uso de diuréticos poupadores de potássio, é um forte indício de hiperaldosteronismo primário, que é uma causa tratável de hipertensão secundária.
O rastreio inicial é feito pela dosagem da relação aldosterona plasmática/atividade de renina plasmática (ARP). Uma relação elevada, juntamente com níveis de aldosterona elevados, sugere o diagnóstico, que deve ser confirmado com testes supressivos.
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