SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Uma paciente de 40 anos de idade buscou atendimento com quadro de hipertensão refratária, cefaleia intensa e hipertrofia de ventrículo esquerdo à ecocardiografia. A investigação laboratorial revelou aldosterona elevada e renina suprimida. A respeito desse caso clínico, assinale a alternativa correta:
Hipertensão refratária + Aldosterona ↑ + Renina ↓ = Hiperaldosteronismo Primário.
A tríade de hipertensão resistente, supressão da renina e elevação da aldosterona direciona o diagnóstico para causas adrenais primárias, exigindo investigação por imagem.
O hiperaldosteronismo primário (HAP) é caracterizado pela produção autônoma e excessiva de aldosterona pela zona glomerulosa da glândula adrenal. Essa secreção independe do sistema renina-angiotensina, levando à supressão da renina plasmática por feedback negativo. A aldosterona promove a reabsorção de sódio e excreção de potássio e hidrogênio nos túbulos coletores renais, resultando em expansão de volume extracelular e hipertensão arterial. Além do efeito pressórico, o excesso crônico de aldosterona possui efeitos pró-inflamatórios e pró-fibróticos diretos no coração e vasos, o que explica por que esses pacientes apresentam maior taxa de hipertrofia ventricular esquerda, infarto e AVC do que pacientes com hipertensão essencial de mesmos níveis tensionais. O diagnóstico precoce permite a intervenção direcionada, seja cirúrgica (nos casos de adenoma) ou farmacológica com espironolactona, reduzindo drasticamente o risco cardiovascular.
Deve-se suspeitar de Hiperaldosteronismo Primário (HAP) em pacientes com hipertensão arterial resistente (não controlada com 3 drogas, incluindo um diurético), hipertensão associada a hipocalemia (espontânea ou induzida por baixas doses de diuréticos), hipertensão com incidentaloma adrenal, ou hipertensão de início precoce (< 40 anos) com lesão de órgão-alvo desproporcional, como a hipertrofia ventricular esquerda. O HAP é a causa mais comum de hipertensão secundária, e sua identificação é crucial pois o tratamento específico pode levar à cura ou a um controle pressórico significativamente melhor.
O rastreio inicial é realizado através da medida da Concentração de Aldosterona Plasmática (CAP) e da Atividade de Renina Plasmática (ARP) ou Concentração de Renina Plasmática (CRP). O achado clássico é uma CAP elevada (> 15 ng/dL) com uma ARP suprimida (< 1,0 ng/mL/h). A relação CAP/ARP (ou Relação Aldosterona/Renina - RAR) é o teste de triagem mais utilizado; valores acima de 30, na presença de aldosterona elevada, sugerem fortemente o diagnóstico. É importante, se possível, corrigir a hipocalemia e suspender antagonistas da aldosterona semanas antes da coleta para evitar interferências nos resultados.
As duas causas principais de HAP são o adenoma produtor de aldosterona (Síndrome de Conn), geralmente unilateral, e a hiperplasia adrenal bilateral (hiperaldosteronismo idiopático). Após a confirmação bioquímica, o próximo passo é a realização de Tomografia Computadorizada (TC) de adrenais. Em pacientes candidatos à cirurgia, se a TC for inconclusiva ou mostrar nódulos em pacientes > 40 anos (onde incidentalomas são comuns), o Cateterismo de Veias Adrenais é o padrão-ouro para lateralizar a produção de aldosterona. Adenomas unilaterais são tratados com adrenalectomia, enquanto a hiperplasia bilateral é tratada clinicamente com antagonistas do receptor mineralocorticoide.
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