Hiperaldosteronismo Primário: Diagnóstico e Sinais Chave

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 60 anos de idade, tabagista, apresentou história de perda de peso, fraqueza muscular proximal e hipertensão arterial de difícil controle. Ao exame físico, observaram‑se edema leve de membros inferiores e hiperpigmentação cutânea. Laboratorialmente, notaram‑se hipocalemia importante e alcalose metabólica. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico indicado e o exame inicial recomendado para a confirmação do caso.

Alternativas

  1. A) síndrome de Cushing; teste de supressão com dexametasona
  2. B) síndrome de secreção inapropriada de ADH; dosagem de sódio urinário
  3. C) feocromocitoma; dosagem de metanefrinas urinárias
  4. D) síndrome de Addison; dosagem de ACTH e cortisol sérico
  5. E) hiperaldosteronismo primário; dosagem de aldosterona e atividade de renina plasmática

Pérola Clínica

Hipertensão refratária + hipocalemia + alcalose metabólica + fraqueza muscular → Hiperaldosteronismo primário (diagnóstico com relação aldosterona/renina).

Resumo-Chave

A tríade de hipertensão arterial de difícil controle, hipocalemia e alcalose metabólica é altamente sugestiva de hiperaldosteronismo primário. A fraqueza muscular proximal é um sintoma comum da hipocalemia grave.

Contexto Educacional

O hiperaldosteronismo primário é uma causa secundária de hipertensão arterial, caracterizada pela produção excessiva e autônoma de aldosterona pelas glândulas adrenais, independentemente do sistema renina-angiotensina. É uma condição subdiagnosticada, mas importante de ser reconhecida devido às suas implicações cardiovasculares e renais a longo prazo. A suspeita clínica surge em pacientes com hipertensão arterial refratária ao tratamento, hipertensão com hipocalemia espontânea ou induzida por diuréticos, ou hipertensão com incidentaloma adrenal. A hipocalemia leva a sintomas como fraqueza muscular, fadiga e cãibras, e a alcalose metabólica. A hiperpigmentação cutânea, embora mais associada à Doença de Addison, pode ser um achado inespecífico ou estar ligada a outras condições, mas não é o foco principal aqui. O diagnóstico inicial é feito pela dosagem da aldosterona plasmática e da atividade de renina plasmática (ARP), calculando-se a relação aldosterona/renina. Uma relação elevada, juntamente com níveis elevados de aldosterona e baixos de renina, sugere o diagnóstico. Testes confirmatórios e exames de imagem (tomografia de adrenais) são realizados para identificar a etiologia (adenoma vs. hiperplasia) e guiar o tratamento, que pode ser cirúrgico (adrenalectomia) ou medicamentoso (antagonistas do receptor de mineralocorticoide).

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos e laboratoriais do hiperaldosteronismo primário?

Clinicamente, destaca-se a hipertensão arterial de difícil controle ou refratária. Laboratorialmente, a hipocalemia (frequentemente grave) e a alcalose metabólica são achados característicos, que podem levar a fraqueza muscular, fadiga e cãibras.

Por que a dosagem de aldosterona e renina é crucial no diagnóstico?

No hiperaldosteronismo primário, há produção autônoma de aldosterona (alta) com supressão da renina (baixa), resultando em uma alta relação aldosterona/renina, que é o principal teste de triagem para esta condição.

Quais são as causas mais comuns de hiperaldosteronismo primário?

As causas mais comuns são o adenoma adrenal produtor de aldosterona (também conhecido como síndrome de Conn) e a hiperplasia adrenal bilateral idiopática, que respondem pela maioria dos casos.

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