HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2020
Paciente de 26 anos procura pronto-socorro queixando-se de forte mialgia e câimbras constantes que pioraram há 1 semana. Nega febre. Nega trauma. Vem apresentando crises hipertensivas recorrentes, já em uso de losartana 100mg/dia, anlodipino 10mg/dia e bisoprolol 5mg/dia, sem melhora. Após coleta de rotina laboratorial em pronto-socorro foi internada por hipocalemia. Submeteu-se à tomografia de abdome abaixo. O provável diagnóstico é:
Hipertensão resistente + hipocalemia + massa adrenal = Hiperaldosteronismo Primário (Adenoma Adrenal).
A combinação de hipertensão arterial resistente ao tratamento, hipocalemia e sintomas neuromusculares como mialgia e câimbras, especialmente na presença de uma massa adrenal em exames de imagem, é altamente sugestiva de hiperaldosteronismo primário, com o adenoma adrenal sendo a causa mais comum tratável cirurgicamente.
O hiperaldosteronismo primário (HAP) é uma causa comum de hipertensão secundária, afetando cerca de 5-10% dos pacientes hipertensos e até 20% daqueles com hipertensão resistente. É caracterizado pela produção excessiva e autônoma de aldosterona pelas glândulas adrenais, levando à retenção de sódio, expansão de volume, hipertensão e, frequentemente, hipocalemia. O diagnóstico precoce é crucial, pois é uma forma de hipertensão potencialmente curável ou controlável com tratamento específico. A fisiopatologia envolve a estimulação dos receptores mineralocorticoides, resultando em aumento da reabsorção de sódio e excreção de potássio e hidrogênio nos túbulos renais. Os sintomas de hipocalemia, como mialgia, câimbras e fraqueza, são manifestações diretas do desequilíbrio eletrolítico. A suspeita diagnóstica surge em pacientes com hipertensão resistente, hipocalemia inexplicável ou incidentaloma adrenal. A investigação inclui a relação aldosterona/renina e, se positiva, exames de imagem como a tomografia de abdome para localizar a fonte, como um adenoma adrenal. O tratamento do HAP depende da causa. Adenomas adrenais (síndrome de Conn) são frequentemente tratados com adrenalectomia unilateral, que pode curar a hipertensão ou melhorar significativamente seu controle. Hiperplasia adrenal bilateral é geralmente manejada com antagonistas do receptor mineralocorticoide, como a espironolactona ou eplerenona. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais e sintomas, realizar a triagem adequada e entender as opções terapêuticas para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida desses pacientes.
O hiperaldosteronismo primário deve ser suspeitado em pacientes com hipertensão arterial resistente (especialmente em jovens), hipertensão e hipocalemia espontânea ou induzida por diuréticos, e sintomas como mialgia, câimbras e fraqueza muscular, que são consequências da hipocalemia.
A investigação inicial envolve a dosagem da relação aldosterona plasmática/atividade de renina plasmática (ARP). Uma relação elevada, juntamente com níveis elevados de aldosterona, sugere o diagnóstico. Após a confirmação bioquímica, uma tomografia de abdome é realizada para identificar adenomas adrenais.
Um adenoma adrenal produtor de aldosterona (síndrome de Conn) secreta aldosterona em excesso, independentemente do sistema renina-angiotensina. Isso leva à reabsorção aumentada de sódio e água nos túbulos renais, resultando em expansão de volume e hipertensão, e à excreção aumentada de potássio e hidrogênio, causando hipocalemia e alcalose metabólica.
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